Vanolli: “O município não está preocupado com as empresas que estão para fechar”

Jornal EM FOCO entrevistou o sindicalista ValdírioVanolli, presidente do Sindicato dos Mestres e Contramestres, Cargos de Chefia e Pessoal de Escritório das Indústrias Têxteis de Brusque e Região (Sindmestre).

O sindicalista falou sobre a situação de algumas empresas da região que, segundo ele, deveriam receber atenção especial do poder público municipal que, ao invés de estimular a instalação de outras empresas na cidade, deveria trabalhar para que as já existentes não precisassem fechar suas portas.

O Sindmestre estará ampliando sua rede de atendimento ao associado, em 2017?

Pretendemos ampliar o atendimento, principalmente a parte odontológica. Estamos trazendo para o sindicato um pediatra que vai atender terças-feiras e quintas-feiras pela manhã, a partir de 15 de fevereiro. Com relação à pediatria, quase não temos disponibilidade de médicos desta área em Brusque.

 

Assim como os demais sindicatos de Brusque ligados ao setor têxtil, o Sindmestre sofreu muitas baixas em 2016 devido ao fechamento de empresas?

Sim, no ano passado tivemos queda do número de associados. Mas, com o decorrer do ano, essas baixas foram sendo absorvidas por outras empresas do setor, que os foram contratando. Conseguimos manter a média de 1,2 mil associados ao sindicato, mesmo com as baixas mencionadas. Tivemos, como todos sabem, empresas que fecharam suas portas, a exemplo de Buettner, Schlösser e Renaux. Os trabalhadores destas empresas estão entre aqueles que conseguiram espaços em outras empresas do setor.

 

Qual é a sua avaliação quanto aos primeiros 30 dias da administração municipal?

A nível de administração pública, não vi nada de novidade. As ruas do bairro Azambuja e para cima, onde moro, estão uma vergonha. A metade da estrada está praticamente destruída, não vejo ninguém da Prefeitura de Brusque lá, preocupado com a manutenção do local. Se der mais duas ou três enxurradas como a que tivemos em janeiro, não vai passar mais ninguém por aquela rua. Depois que os padres venderam um terreno, que teve liberação da prefeitura – administrações de Prudêncio Neto e Bóca Cunha – para loteamento, aquilo virou uma desgraça. Eu moro em Azambuja há 64 anos, não me lembro de uma enxurrada que tenho colocado água na gruta, antes.

 

A negociação salarial 2016 correspondeu às expectativas do seu sindicato?

Sabemos das dificuldades que o país atravessa. Muitas empresas enfrentam dificuldades para fazer o repasse dos descontos dos associados ao sindicato. Muitas das empresas estão nesta situação por causa da má administração. Já fecharam Schlösser, Renaux, Buettner e Benefios por causa disso. Algumas empresas recolhem o INSS do trabalhador e não repassam para o governo. Enquanto isso, o governo federal fica falando que precisa fazer a reforma da Previdência Social. Em Brusque, a Buettner tinha R$ 6 milhões de dívidas apenas com o INSS, fora o que era dos trabalhadores.

Na sua opinião, o poder público municipal poderia fazer alguma coisa para amenizar a situação?

O poder público municipal poderia fazer alguma coisa através do setor de desenvolvimento econômico. Vemos que o município não está preocupado com as empresas que estão para fechar. Na minha opinião, deveriam batalhar para não deixar fechar estas empresas que enfrentam dificuldades, ao invés de ficar buscando novas empresas para se instalar aqui.

 

 

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