Uma aliança de centro poderia livrar o Brasil do caos – Por Gabriel Wilhelms

O que se pensa ser o mais comum e esperado no processo de decisão dos eleitores? Que cada um analise as propostas e programas de governo dos candidatos(a) e opte por aquele(a) que melhor corresponde com o que ele pensa ser o caminho correto para o país. Sendo assim, o chamado “voto de convicção”, nada mais é do que o voto ideal, o mais adequado em termos de representação, o que melhor pode advir do debate político, que sempre deve ser um debate de ideias. Você não estaria apenas votando em um candidato, estaria votando em um conjunto de ideias que melhor representam seus anseios.

Ocorre que na realidade não é sempre assim que a coisa funciona. Temos um fator distorcivo chamado pesquisas eleitorais. O fato de haverem pesquisas, que invariavelmente sempre mostram ligeira vantagem de alguns em detrimento de outros, sempre leva a afirmações do tipo: “Mas o fulano não tem chances de ser leito, votar nele será jogar seu voto no lixo”. Podemos notar um padrão que é o seguinte, a frase normalmente vem seguida por uma sugestão de voto em um dos candidatos que tem a vantagem, me levando a concluir que a tese do voto útil é na maior parte das vezes usada, tão somente como um meio de fazer campanha indireta para um determinado candidato(a). No mais, votar pura e simplesmente em quem tem chance, é, a priori, uma grande burrice. O que fazer se os que tem chance são o avesso do que você pensa ou defende? Que necessidade é essa de votar só em quem “pode” ganhar?

Mas a tese do voto útil, como estratégia política, pode fazer sentido quando o voto é dado em alguém que, embora não seja seu candidato ideal, seria de qualquer modo uma segunda opção, e se esse voto visa fazer frente a uma opção muito pior, que tenha indubitáveis chances de vencer. Foi por isso que eu, assim como milhões de outros brasileiros, votei em Aécio Neves em 2014, não apenas no segundo, mas no primeiro turno também.

 O cenário mais provável para o segundo turno, de acordo com as últimas pesquisas divulgadas, é uma disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Este é o que considero o pior cenário possível. Para fazer frente a isso, há poucos dias atrás o ex-presidente FHC emitiu uma carta aberta em que defendia uma aliança entre os candidatos de centro. A proposta, como era de se esperar, não encontrou acolhida entre os candidatos.

Pode-se dizer que FHC tentava colher votos para o candidato de seu partido, Geraldo Alckmin, que até o momento é o candidato mais bem posicionado no espectro centro/centro-direita, mas longe de ficar comprometida, sua proposta é muito válida. A ascensão dos extremos que infelizmente estamos assistindo, era uma tragédia anunciada, e grande parte disso se deve à fragmentação do centro. Evidente que cada candidato tem direito a sua candidatura e o arbítrio de recusar o apelo de FHC, mas é realmente uma pena que o façam.

O país confronta a hipótese de ver o retorno do partido que sangrou a economia do país,  foi a estrela de episódios traumáticos de corrupção como o mensalão e o petrolão, este último figurando como um dos maiores esquemas de corrupção do mundo, e presta apoio direto ou indireto à governos autoritários latino-americanos, ou a ascensão da extrema direita, na figura de um candidato que coleciona falas preconceituosas, defesa da ditadura militar (que aparece inclusive em seu plano de governo) ataques aos direitos humanos, o mesmo valendo para seu vice.

Muitos, que não tem maiores simpatias por Bolsonaro, optarão pelo voto nele para evitar a ascensão do PT. Isso, entre outras coisas é reflexo da percepção de que candidatos do centro tem poucas chances de chegar ao segundo turno. Nesse sentido, uma aliança entre candidatos como Alckmin, Marina, Meirelles e Álvaro Dias (João Amoêdo não aceitaria se aliar e se sacrificar em pleitos futuros), que oferecesse um nome viável, que penso, por estratégia deveria ser Alckmin, é a única coisa que poderia contrabalancear o jogo e levar para o segundo turno uma candidatura que reúna virtudes como a responsabilidade fiscal, liberdade econômica, simplificação tributária, diminuição da burocracia, e defesa absoluta da democracia, sem cair em extremismos de nenhum lado.

 Como não haverá a aliança, restaria aos eleitores dos supracitados candidatos concentrarem seus votos em uma das opções, fazendo “voto útil”. Porém, ainda que isso ocorresse, seria pouco provável que fosse de maneira coordenada, já que cada eleitor tender a propor transformar seu candidato no “escolhido”. Há também o empecilho de que Alkmin, o melhor colocado dentre os citados, ainda está muito distante do segundo colocado. Penso que o centro, e não os extremos, tende a decidir as eleições, mas a fragmentação do mesmo pode levar a um cenário em que pessoas moderadas se vejam obrigadas a votar em um extremo ou outro. É um apelo em vão, provavelmente, mas uma aliança de centro pode ser a única coisa capaz de livrar o país do caos.

Gabriel Wilhelms

 

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