Sindicalistas buscam apoio de vereadores contra as reformas trabalhista e previdenciária

Representantes do Fórum Sindical de Trabalhadores de Brusque e Região reuniram-se com vereadores na tarde desta quinta-feira, 16, para solicitar o apoio dos parlamentares contra as reformas da previdência e trabalhista. O encontro ocorreu no plenário da Câmara Municipal de Brusque.

Na oportunidade, o sindicalista João Decker, presidente do Fórum, criticou as pretensas mudanças relativas à seguridade social em pauta no Congresso Nacional. “Para quem trabalha no escritório é muito fácil, mas no chão de fábrica o trabalhador que tem seus 55 anos já está pela boa – sem desprezar o pedreiro e o servente de pedreiro, que também fazem serviços pesados”, disse Decker. “As pensões, hoje, são 100%. Com o novo projeto, serão de 50%, 10% para cada dependente”, acrescentou o sindicalista. “E quem paga aluguel, condomínio, vai pagar 50% se ficar viúvo ou viúva?”, questionou. “É infantilidade de alguns legisladores dizer um absurdo desses”. “Dificilmente haverá uma aposentaria de 100%, isso se chegar a se aposentar”, frisou o sindicalista.

Decker defendeu que dirigentes sindicais, vereadores e a população intercedam junto aos deputados federais e senadores catarinenses para impedir que as reformas sejam aprovadas da forma como estão delineadas atualmente. “Eles são votados pelo povo catarinense, não apenas por uma classe, então, estão representando toda a comunidade de Santa Catarina”, observou o presidente do Fórum.

Outros sindicalistas também fizeram uso da palavra. “Não é uma questão de economia, mas de maldade mesmo. Isso saiu da cabeça do ministro da Economia, Sr. Henrique Meirelles”, disse Júlio Gevaerd, referindo-se às mudanças que poderão afetar os dependentes menores de idade no caso das pensões por morte. “Isso é coisa patrocinada por pessoas que detêm o poder do universo e querem enriquecer mais do que é possível, as companhias de planos privados que querem faturar a aposentaria”, sugeriu Gevaerd, que chamou a atenção para as constantes atualizações na CLT – a Consolidação das Leis do Trabalho.

“Eu queria saber se quem recebe R$ 1.200 vai conseguir pagar uma previdência privada”, salientou o também sindicalista José Isaias Vechi. “Parte da sociedade ainda não entendeu que não apenas os trabalhadores perderão, mas também os profissionais liberais e toda a sociedade que paga a previdência social e infelizmente irá arcar com este ônus”, observou Vechi. Por sua vez, Anibal Boettger ressaltou: “Com entidades sindicais e trabalhadores desorganizados, sem representação, haverá uma pressão muito grande por parte da classe empresarial, que fará o que bem entender. Na nossa região, os trabalhadores têm uma representatividade atuante, mas pelo Brasil afora muitos sequer têm representação sindical”. Para Orlando Soares, as mulheres serão as mais prejudicadas: “Sessenta e cinco anos de idade e 49 de contribuição. Elas serão as que mais vão sofrer com esta reforma”, avaliou.

Na condução do encontro, o presidente do Legislativo, Jean Pirola (PP), lembrou que, em termos de representatividade política, Brusque e região elegeram um único deputado estadual e nenhum deputado federal. “Se hoje tivéssemos na cidade pelo menos um deputado federal, com certeza ele estaria sendo cobrado [sobre as reformas], pois ele é quem tem o voto decisivo lá em cima [Brasília]”, disse Pirola.

O vereador Claudemir Duarte, o Tuta (PT), declarou apoio ao movimento contrário às reformas: “Para que consigamos garantir ao máximo possível os direitos já conquistados há muito tempo”, justificou. De opinião semelhante, Paulinho Sestrem (PRP) também usou a tribuna: “Quanto mais tempo levar para um cidadão se aposentar, mais difícil será para o jovem entrar no mercado de trabalho”, afirmou. Para Marcos Deichmann (PEN), tais reformas são “uma afronta à classe trabalhadora”. O vereador comentou que busca informações a respeito de como as mudanças poderão afetar as instituições filantrópicas, caso do Hospital Azambuja, hoje isento de determinados impostos pela condição do regime filantrópico.
Tema será abordado na próxima sessão ordinária

Ao final da reunião, ficou definido que um representante sindical fará uso da tribuna livre na próxima sessão ordinária da Câmara, na terça-feira 21, para novamente abordar o assunto junto a todos os parlamentares, pois nem todos puderam comparecer na tarde de ontem.

De acordo com o disposto no Regimento Interno da Câmara, o orador terá até 15 minutos para se manifestar. O vereador Paulinho Sestrem (PRP), atendendo a pedido dos sindicalistas, comprometeu-se a encaminhar moção de repúdio à Brasília pelas reformas propostas pelo governo federal. Deichmann também se posicionou favoravelmente à iniciativa. O documento deverá ser coassinado também por outros parlamentares.

Também estiveram presentes ao encontro os vereadores Ana Helena Boos (PP) e Cleiton Luiz Bittelbrunn (PRP).

Deixe sua opinião