Sinal de celular e internet dá visibilidade a potencial turístico e econômico de Botuverá

“A população me cobra muito o sinal de celular, nós não temos sinal de celular. Nas comunidades do interior vizinhas de Brusque, por exemplo, não temos sinal. Na maior comunidade rural, de Águas Negras e Sessenta também não temos. Em escolas temos telefone fixo e celular via rádio, precário… Quando esse projeto ficar pronto a prefeitura já vai colocar uma contrapartida para expandir o projeto e atingir essas comunidades, com isso esperamos atingir 80% do município, um universo em torno de 3 mil pessoas, principalmente do interior”.

O Prefeito (reeleito) de Botuverá, José Luiz Colombi (conhecido como Nene), tem dificuldade em traduzir a ansiosa expectativa da população diante da “chegada” da Internet e da telefonia móvel para a boa parte dos cerca de quatro mil habitantes, prevista para acontecer nas próximas semanas. Botuverá (no baixo Vale do Itajaí, há 120 quilômetros de Florianópolis) é um dos 11

municípios catarinenses contemplados pelo Programa SC Rural da Secretaria da Agricultura e da Pesca para receber torres e antenas de transmissão do Projeto Piloto de Comunidades Rurais Digitais (PPCRD), totalizando um investimento de R$5,5 milhões. Os demais municípios participantes são Pinheiro Preto, Ipuaçu, Tigrinhos e Catanduvas, no Oeste; Bom Retiro, Major Vieira e Bocaina do Sul (Planalto Serrano); Anitápolis (grande Florianópolis) Trombudo Central (Alto Vale) e Pedras Grandes (Sul), também com previsão de receber sinal de Internet e telefonia móvel ainda no primeiro semestre.

Para o Prefeito Colombi a melhoria é um avanço muito esperado: ”O pessoal está ansioso para que isso se concretize e a expectativa maior é em cima do sinal do celular. Mas temos outras áreas que o programa da Secretaria da Agricultura e da Pesca vai beneficiar. Por exemplo, a segurança. Temos baixo efetivo policial e na hora em que esse sinal estiver liberado no interior, nós vamos colocar algumas câmeras de monitoramento e fazer o fechamento da cidade. Nós já temos uma central de monitoramento e de vigilância da prefeitura na Polícia Militar, e para a segurança a comunicação é primordial”, frisa o prefeito. Mas a relação de benefícios não termina aí: “Outra área a ser contemplada é o turismo; nas comunidades dos Lajeados Alto e Baixo, no último domingo cerca de 500 pessoas almoçaram no recanto que temos lá no Parque das Grutas, na região das cavernas. E o turista que vem para cá também será beneficiado por esse sinal de telefonia. Na minha visão, o sinal de telefone é mais urgente pela questão da comunicação; mas a Internet é muito importante também. Agricultores da região do Chapadão, por exemplo, uma região bem isolada, vão ter Internet, e o benefício que isso trará é até difícil de mensurar”. Em 2016, informa o prefeito, mais de 23 mil turistas visitaram o Parque das Grutas, que abriga as maiores cavernas da América Latina.

Desde o Microbacias, um ótimo programa

Na visão de Colombi, Botuverá “é um município meio atípico: Somos hoje um município industrial, já. Mas há quinze anos atrás ele era totalmente agrícola. Trouxemos indústrias de fiação de fios dealgodão, temos aqui 14 ou 15 empresas que fazem fios de algodão, além das empresas de mineração de calcário e brita, e temos algumas facções. Mas o forte aqui é a fiação. Para se ter uma ideia temos hoje valores de FPM e de ICMS parelhos, praticamente iguais na composição da renda do município. Nosso cidadão tem emprego nas fábricas e trabalha na agricultura, principalmente reflorestamento com eucalipto. Deixamos de plantar fumo e passamos ao cultivo do eucalipto, para fazer o cavaco, enviado a Brusque e usado nas caldeiras de tinturarias. E Botuverá em 2014 ficou em segundo lugar no país em renda igualitária. Isso é, as rendas familiares são muito próximas. Eu mesmo sou agricultor e fundei uma cooperativa de crédito aqui. Paramos de plantar fumo e adotou-se o reflorestamento e isso melhorou muito a renda. Fundei a cooperativa com 20 agricultores e hoje, dez anos depois ela tem sete mil sócios e está em sete municípios e movimenta R$ 80 milhões. Eu conheço bem o Programa SC Rural, fui Presidente da Associação de Microbacias de Ribeirão Porto Franco, no Programa Microbacias 2. Com a associação construímos mais de 200 fossas, fizemos um trabalho grande em cima da questão ambiental. Acho o SC Rural um ótimo programa, só lamento não ter conseguido criar aqui um grupo para fazer um projeto. Temos aqui também o único abatedouro público municipal do estado, com inspeção e tudo certinho, para abater bovinos e suínos”.

Retorno ao campo e potencial turístico

Colombi dedica atenção especial para os agricultores: ”Esse sinal do PPCRD do SC Rural vai ser importantíssimo, principalmente para os agricultores, os jovens. Lá na antena tem uma família com cinco filhos e eles têm – como tantos outros – uma ansiedade imensa pela Internet. Fui pedir voto agora na eleição e senti essa ansiedade. É uma coisa nova, inédita para eles e eles vão ficar lá, são filhos de agricultores e vão permanecer na propriedade. Em nosso programa de governo está previsto levarmos ao interior cursos de informática para jovens e adultos aprender lidar com o computador. “Pelo que a gente percebe, a ansiedade que eles têm pela liberação do sinal, vai ser algo que eles nunca esperavam…principalmente nas comunidades rurais de Lajeado Baixo e Lajeado Alto – que devem totalizar perto de 100 famílias. E notamos também muitos agricultores que saíram estão de volta a Botuverá, alguns aposentados voltando para as propriedades que deixaram, e outros até comprando propriedades, a gente nota isso claramente. Quero transformar esse município, estamos construindo um museu no parque de visitação as cavernas que terá cerca de 2.000 utensílios, incluindo todos os tipos de engenhos. Com o sinal da Internet vamos colocar Botuverá no mapa turístico de Santa Catarina, vamos fazer o inventário turístico de Botuverá. Nosso maior potencial é o turismo, temos pesque pagues, cachoeiras, cavernas… cerca de 33% do território de Botuverá é Área de Preservação Permanente; temos 5.700 hectares dentro do Parque Nacional da Serra do Itajaí – e o município tem 57 mil hectares. Temos a Reserva Estadual da

Canela Preta, coberta de matas nativas, temos uma reserva particular e ainda o Parque Municipal das Grutas. E vamos ter a única barragem do Brasil com três funções: minimizar enchentes, gerar energia e formar um reservatório com potencial para fornecer água para 500 mil pessoas (em Botuverá, Itajaí, Brusque, Camboriú, Navegantes e Porto Belo). Serão 20 milhões de metros cúbicos de água represada para minimizar enchentes, uma obra orçada em R$ 100 milhões e vai gerar 5 megawatts. A obra está na fase final de estudos e deve ser iniciada neste ano”, frisa o prefeito. Segundo ele, “esse programa para nós de Botuverá será uma maravilha! Só quero parabenizar a Secretaria da Agricultura pela iniciativa e por ter incluído Botuverá neste programa, vamos nos empenhar, fazer a nossa parte, somos parceiros e sempre vamos ser… Só tenho a agradecer e dizer que o programa é tão bom que vou levar (a cobertura de internet e celular) a outros pontos do município onde não tem; ainda neste ano vou levar porque a cobrança das comunidades que não têm é uma coisa incrível. Isso vai ser primordial para o município e vamos ampliar para Botuverá ter 100% de cobertura”.

Quatro municípios prontos para operar

O Projeto Piloto de Comunidades Rurais Digitais é executado pela Secretaria da Agricultura e da Pesca através da Gerência de Tecnologia da Informação e Governança Eletrônica. Numa primeira etapa, a Secretaria da Agricultura contratou via licitação os 11 projetos técnicos e estes foram repassados através de convênios às prefeituras, que licitaram a compra dos equipamentos com recursos do SC Rural. Segundo o Gerente de Tecnologia de Informação, Fábio Ferri, a expectativa é de que os serviços do PPCRD estejam em funcionamento nos municípios de Botuverá, Pinheiro Preto, Catanduvas e Anitápolis em algumas semanas: ”Dependemos apenas da licença da Anatel – já encaminhada, e da licença de operação das antenas a ser liberada pela Fatma, trâmites que devem ser cumpridos em breve”, prevê Ferri. Os outros sete municípios a serem contemplados pelos sinais de Internet e telefonia móvel devem receber os serviços no primeiro semestre deste ano. Ainda de acordo com o gerente de TI da Secretaria, o único valor a ser pago pelos beneficiários será a instalação, nas propriedades, de antenas para recepção do sinal. “Durante os primeiros 24 meses o custo operacional das antenas será subsidiado pelo Governo do Estado e, após esse período, pelas prefeituras. Também caberá às prefeituras analisar a possibilidade de alugar a antena para operadoras de telefonia instalarem seus equipamentos, e assim obter recursos para custear a manutenção da mesma. Ferri observa ser difícil num primeiro momento estimar o número de famílias a serem atendidas em cada cidade abrangida, ”pois a adesão dos moradores exige que eles façam um cadastro na prefeitura de seu município”.

 

Deixe sua opinião