Saldo negativo, mas gerando empregos

Em entrevista coletiva, o presidente da FIESC, Glauco Côrte, apresentou o balanço da Indústria catarinense em 2016, nesta quinta-feira (8)

IMG_6226.JPGFoto: Bianca Backes

Glauco José Côrte

Na tarde desta quinta-feira (8), o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte, concedeu entrevista coletiva para falar sobre o panorama da indústria de Santa Catarina em 2016 e as expectativas para 2017. “O ano de 2016 foi muito difícil, mas acreditamos que 2017 será um ano de transição, com o encaminhamento de reformas pelo governo, iniciando assim a recuperação da economia”, afirmou Glauco.

A maior parte dos indicadores do setor no ano acumulam resultados negativos. De janeiro a outubro sobre igual período em 2015, as vendas diminuíram 10,8%, a produção industrial acumula queda até setembro de 4,2% e os estoques estão elevados para o período. De janeiro a novembro em relação ao mesmo período no ano passado, as exportações se reduziram 2,6%, e as importações 19,9%.

Apesar dos dados negativos, a indústria de transformação catarinense mantém o posto de maior geradora de empregos do Brasil em números absolutos, com 5.146 contratações no acumulado do ano até outubro. A produção industrial catarinense do acumulado do ano até setembro em relação ao mesmo período em 2015 registrou crescimento nos setores de alimentos (3,9%) e máquinas aparelhos e materiais elétricos (4,5%). Entre os segmentos que apresentaram retração destacam-se produtos de metal (-21,2%), minerais não-metálicos (-13,8%), metalúrgica (-15,1%) e borracha e plástico (-6%).

Santa Catarina é o sétimo Estado mais exportador do país, com participação de 4,4% no total de embarques. De tudo que é produzido do Estado, 16% vai para os Estados Unidos e 12% para a China. A parceria com a China vem crescendo, principalmente agora com a exportação de carne suína, que passou por rigorosos processos de certificação e qualidade.

As pesquisas que medem o índice de confiança do industrial catarinense e a intenção de investir caíram desde 2014, com o aprofundamento da recessão. Nos últimos meses, a intenção de investir reagiu, mas com menor intensidade. A confiança do industrial na economia alcançou 52,8 pontos em novembro, abaixo dos 53,1 registrados em outubro. O índice varia no intervalo de 0 a 100. Acima de 50 pontos indica confiança e abaixo, falta de confiança na economia.

O futuro

“Talvez, em nenhuma ocasião, nós tenhamos vivido um período em que a iniciativa privada tenha dependido tanto do governo. Não em termos de investimentos, mas de reformas que conduzam a uma expectativa mais favorável para que venham os investimentos”, explicou Côrte. Ele diz que as propostas que estão sendo elaboradas por esse novo governo, como a PEC dos gastos públicos, e a reforma da previdência, já criaram uma boa expectativa no setor.

Esperava-se uma retomada da economia já no último trimestre de 2016, o que não aconteceu. Segundo Côrte, isso é esperado para os primeiros meses de 2017. “Se o governo cumprir o que está prometendo, com todas essas reformas, nós conseguiremos recuperar a confiança do industrial catarinense”. Ele diz que, embora a situação econômica do país não esteja fácil, 2016 já foi melhor de 2015, e que muito do sucesso do setor no Estado se deve ao espírito do catarinense, de sempre ir em frente e investir no seu negócio.

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