Psicólogo Fillipe Martinenghi fala sobre uma polêmica das redes sociais

Em entrevista exclusiva ao JORNAL EM FOCO, o Psicólogo Fillipe Martineghi – CRP 12/12385,  falou um pouco sobre um tema que vem sendo muito discutido na sociedade, depois da decisão do juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho que permite aos psicólogos oferecerem tratamento contra a homossexualidade .

“A liminar se apresenta de modo confuso e abre espaço para muitas interpretações. Na verdade, o juiz não chega a defender explicitamente a “cura gay” e nem derruba uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que há 18 anos proíbe sua prática.  Em termos práticos, a liminar torna legalmente possível que os psicólogos ofereçam tratamentos para mudar a orientação sexual de pacientes.

Essas práticas, além de não terem embasamento científico, estatisticamente tendem causar mais sofrimento psicológico nas pessoas – indo contra os princípios fundamentais do próprio código de ética do Psicólogo. O próprio CFP recorreu ao Tribunal Regional Federal contra a liminar alegando que “não cabe ao Judiciário interpretar essa resolução profissional”.

Desse modo, as práticas que podem surgir a partir dessa liminar, não contribuem em nada para a saúde e bem estar social, visto que, qualquer tipo de prática de “reorientação” é visto como absurda, pois não há evidências científicas que sustentem sua eficácia.

O papel dos psicólogos é tratar o sofrimento psicológico de qualquer pessoa que os procurem, com base no conhecimento científico, respeitando a dignidade e a opção de escolha de cada individuo. Assim, não podem exercer qualquer ação que trate como doença comportamentos ou práticas homoeróticas nem podem reforçar preconceitos sociais em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.” diz o psicólogo.

JORNAL EM FOCO: Segundo pesquisadores a taxa de suicídio entre jovens homossexuais é relativamente alto, quais seriam os principais motivos para isso?

FILLIPE MARTINENGHI:  Grande parte dos homossexuais sofre algum tipo de discriminação e preconceito, seja pelos próprios pais, famílias ou pela sociedade. Isso impacta diretamente na autoestima desses jovens que tem constantemente sua orientação sexual questionada e acabam sentindo-se pressionados, desvalorizados e não aceitos perante a sociedade.Esses fatores podem levar facilmente qualquer pessoa a sentir sintomas de ansiedade e levar a depressão e em muitos casos por consequência ao suicídio.

JORNAL EM FOCO:  Há quase 30 anos, a Organização Mundial de Saúde retirou a homossexualidade da lista internacional de doenças. Antes disso, os tratamentos para a reversão sexual (ou terapia de conversão e reparativa, como também é conhecida) previam o uso de técnicas como a lobotomia (intervenção cirúrgica no cérebro) e choques. Os tratamentos propostos após essa aprovação, voltariam a esses moldes?

FILLIPE MARTINENGHI: Acredito que esses tratamentos mencionados não voltariam, pois violam bem mais do que o código de ética do psicólogo. Existem outras normas e legislações que impediriam que essas práticas acontecessem. O problema dessa liminar como já mencionei é que, se mantida, reforça ainda mais os preconceitos e discriminações que já existem e que são grandes causadores de sofrimento psicológico.

Acredito que esses tratamentos mencionados não voltariam, pois violam bem mais do que o código de ética do psicólogo. Existem outras normas e legislações que impediriam que essas práticas acontecessem. O problema dessa liminar como já mencionei é que, se mantida, reforça ainda mais os preconceitos e discriminações que já existem e que são grandes causadores de sofrimento psicológico.

 

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