Presidente da Aurora diz que todas as indústrias de frangos estão operando no vermelho

O presidente da Aurora Alimentos, Mário Lanznaster, disse na tarde desta quinta-feira (17) que todas as indústrias produtoras de frango do Brasil estão operando no vermelho. O motivo é a crise que o setor de carnes vem enfrentando no país desde a deflagração da Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, e também o alto custo de insumos. Segundo balanço da cooperativa, a Aurora teve prejuízo de R$ 60 milhões nos quatro primeiros meses de 2018.

Para tentar minimizar as perdas, a Aurora está paralisando parte das produção. A cooperativa anunciou que dará férias coletivas na unidade de Abelardo Luz durante o mês de junho, e na unidade de Guatambu no mês de julho. Com estas medidas, a cooperativa reduz o abate de frangos em mais de 10% durante o período.

Lanznaster diz que é muito provável que uma nova unidade pare de funcionar. Segundo ele, a Aurora vai decidir na próxima segunda-feira (21) qual planta de produção será a escolhida. A expectativa é de que mais 1.500 funcionários entrem em férias coletivas. Ele não descarta a possibilidade de paralisar uma quarta planta, mas diz que essa decisão só acontecerá se a crise persistir.

Mesmo com o prejuízo, a Aurora descarta a possibilidade de demissões. Segundo Lanznaster, a crise no frango tem gerado perdas de, aproximadamente, R$ 21 milhões por mês para a cooperativa. Isso equivale a um prejuízo de R$ 1 por cabeça de frango abatido. O déficit da Aurora só não é maior porque os mercados de leite e de suínos apresentam resultados positivos.

Mundo

Mário Lanznaster está otimista com a abertura do mercado russo para a semana que vem. O ministro adjunto da Agricultura, Eumar Roberto Novacki, esteve no Oeste durante o mês de maio e disse que, devido à Copa do Mundo e consequente aumento do consumo de carnes, a Rússia deve reabrir as portas para o frango catarinense. As exportações devem levar uma boa parte do produto que hoje está inundando o mercado interno.

“Nossa imagem lá fora está muito feia”, diz Lanznaster. Ele critica as operações da Polícia Federal e diz que o Brasil precisa reconquistar o status de qualidade de alimentos que tinha antes da Carne Fraca. “Foi um exagero”, diz. Atualmente, a União Europeia impõe embargos aos frigoríficos brasileiros. Em abril, Santa Catarina teve uma retração nas exportações de frango de quase 30%.

Soluções

Lanznaster elenca duas medidas para solucionar a crise que o setor de carnes enfrenta. A primeira, e a curto prazo, é o corte na produção. Segundo ele, para equilibrar oferta e demanda, a produção brasileira devia passar dos atuais 527 milhões de frangos alocados para 480 milhões, uma queda de cerca de 10%.

A segunda, a longo prazo, é investir em infraestrutura. O insumo da produção de carnes (milho para fazer ração) tem vindo de lugares cada vez mais distantes (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e é necessária a construção de uma ferrovia a fim de facilitar o frete, diz ele. Outra demanda é a melhoria das estradas, principalmente da BR-282, que são utilizadas para ligar os frigoríficos aos portos do litoral catarinense.

Prêmio

Apesar dos números negativos do setor, a Aurora apresenta o melhor cenário entre as grandes indústrias de carnes do Estado. O destaque da cooperativa no mercado catarinense rendeu a Mário Lanznaster o prêmio de Personalidade de Vendas da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing de Santa Catarina (ADVB/SC). A premiação, divulgada em maio, teve, pela primeira vez, um vencedor representando uma cooperativa.

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