Preço da soja catarinense ainda depende de Trump

Entenda como as decisões do novo presidente americano e as variações de câmbio podem afetar a rentabilidade do grão, apesar da colheita recorde em SC

Murici Balbinot

Santa Catarina deve ter, em 2017, a melhor safra de soja dos últimos tempos, com colheita esperada de 2,3 milhões de toneladas. Mas a garantia de preço alto depende do cenário internacional e da política cambial e de biocombustíveis dos Estados Unidos da América (EUA). A legislação atual, legado do ex-presidente americano Barack Obama, impulsiona para cima o preço do commodity com aumento da demanda interna, e terá resultado ainda melhor se o dólar seguir valorizado.

Santa Catarina registrou um aumento significativo de produtividade. A área plantada de soja teve crescimento de 3% e em algumas regiões o produtor está colhendo acima de 80 sacas por hectare, segundo o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri. “O agricultor que escolheu a soja vai ter boa rentabilidade”, diz.

Segundo ele, o câmbio será o principal fator de influência para garantir rentabilidade. Isso porque a soja ocupa importante espaço no mercado internacional, diferentemente do milho, de alto consumo interno. A China, maior compradora da soja, deve levar mais de 70% da produção.

A legislação atual dos EUA também contribui com a valorização do grão. Em novembro passado, a Agência de Proteção Ambiental americana modificou a meta para o uso de biocombustíveis, o que permitiu aumentar o consumo e crescer a demanda interna em até 9 milhões de toneladas para o milho, e em 5 milhões de toneladas para a soja. Mas a expectativa positiva pode ter uma reviravolta caso o novo governo dos EUA altere a política energética. Donald Trump defende menor restrição em questões ambientais e preferência por fontes energéticas tradicionais, o que afeta diretamente o avanço do mercado de biocombustíveis.

A economista da Epagri/Cepa, Glaucia Padrão, pondera: “Não é possível saber em que magnitude esses preços serão alterados”, lembrando, ainda, que fatores como o câmbio interferem no preço.

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