Polícia Civil cumpre mandados de prisão e busca e apreensão na segunda fase da Operação Regalia

Corrupção dentro do Presídio Regional de Blumenau é alvo da Deic; 60 pessoas são rés do processo, 40 tem prisão decretada

Foto: Murici Balbinot

A Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC), com apoio do Ministério Público e do Departamento de Administração Prisional (Deap), deflagrou nesta segunda-feira (5), mais uma etapa da Operação Regalia, que investiga crimes ocorridos dentro do Presídio Regional de Blumenau. Nesta fase, 130 pessoas foram inqueridas: 60 são rés e, destas, 40 já tiveram prisão preventiva decretada. Como resultado da Operação, os réus vão responder por crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção ativa e passiva, cuncussão, prevaricação, facilitação de fuga, falsidades, organização criminosa, dentre outros, cometidos por agentes prisionais, detentos, ex-detentos, advogados e empresários.

Segundo a Polícia, uma organização criminosa montou um esquema para oferecer regalias aos detentos do Presídio Regional de Blumenau (PRB). Sob pagamento, agentes prisionais agiam dentro da unidade em favor dos presos. A mediação era responsabilidade de advogados e empresários, envolvia ex-detentos, familiares de detentos e agentes públicos. Dentre os mandados cumpridos nesta segunda-feira (5), estão as prisões de 13 agentes prisionais envolvidos no esquema. A Polícia fez requerimento para perda da função pública.

“Não consigo ver promiscuidade tão grande fora do Presídio como há lá dentro. Tudo tinha preço”, disse o delegado Procópio Silveira Neto. Nos depoimentos colhidos, há vários relatos das regalias compradas pelos presos. Segundo a Polícia, os operadores do esquema – que faziam a mediação entre agentes prisionais e detentos – conseguiam trabalhos externos para presos em regime fechado, acesso a drogas, cigarro, celulares, wi-fi, e até prostitutas (uma advogada arranjava carteirinhas especiais para elas). A Polícia confirmou também as denúncias de que detentos saíam do PRB nos carros da Deap para “dar uma volta”, sob a direção de agentes prisionais.

Segundo o diretor do Deap Leandro Antônio Soares Lima, o Presídio virou um balcão de negócios. As investigações revelaram que a fuga de 28 presos em janeiro de 2015 foi comprada em um consórcio: os pagamentos foram variados,cerca de R$ 10 mil, R$ 20 mil por detento em depósitos bancários. As ferramentas usadas para cavar o túnel foram retiradas do local por operadores do esquema. As facilidades eram tantas, que presos de outras unidades pagavam para se transferir para o PRB.

Os crimes relatados no processo aconteceram a partir de 2014, mas as investigações mostraram que o esquema é bem mais antigo. Mesmo com a primeira fase da Operação Regalia, em 2015, a organização criminosa continuou a atuar dentro do Presídio. A Polícia fala em estancar a sangria e lembra que as investigações não teriam sido completas sem a participação de agentes prisionais não envolvidos no esquema. O diretor do Deap Leandro Antônio Soares Lima, quer fortalecer a corregedoria da polícia e defende melhor estrutura para o PRB. Hoje, o Presídio é considerado o ‘pior’ do estado.

Segundo o processo, o esquema era feito diretamente com os agentes prisionais, sem envolvimento da direção da unidade.

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