Pena de Morte: sim, não…talvez…

Refletir a cerca do tema pena de morte, é sempre polêmico e divisor de opiniões.

Do ponto de vista religioso uma vida é sempre uma vida, desprovida de qualquer atributo ou juízo de valor que a faça valer mais ou menos que outra. Afinal… “somos todos filhos de Deus”.

Alguém das ciências exatas poderia dizer que se uma vida não tem maior valor que outra, então deveríamos buscar métodos que objetivem salvar o número maior de vidas possível. Sob essa ótica, a pena de morte em algumas situações seria uma resposta. Afinal, executar alguém que tira a vida de várias pessoas é uma forma de salvar um maior número de vidas.

O pessoal dos direitos humanos iria além dos religiosos e diria que uma vida ou cem vidas têm igual peso. Em outras palavras, significa dizer, que a vida de um genocida e todo o conjunto de vidas que ele ceifa têm igual valor.

Um sociólogo poderia dizer que o problema reside em uma estrutura social repleta de desigualdades e desse modo, a solução estaria na busca de uma sociedade onde haja isonomia de oportunidades.

Poderíamos divagar por dias, sobre a imensidão de opiniões a cerca do “sim” e do “não” a pena de morte.

Diria eu, que todas essas opiniões guardam frações de verdade e excesso de apego ao seu ponto de vista fragmentado. A verdade é que discutimos essa questão muito mais guiados por paixões pessoais, do que pela razão.

A violência é um problema de múltiplas faces, e como tal, exige múltiplas estratégias para combatê-la.

A primeira estratégia de combate (e a nossa melhor chance) é a educação. Precisamos de menos discursos humanistas hipócritas e mais políticas públicas eficazes de conscientização das famílias, em especial dos pais, sobre o seu DEVER de responsabilidade para com a boa formação dos seus. Os noticiários estão repletos de notícias do tipo “mãe devota na recuperação de seu filho viciado em tóxicos”, porque não houve devoção antes?

Educar exige doação, dedicação, sacrifício e devoção. Sem dúvida é mais cômodo deixar que a televisão, os jogos, a internet e os amigos ocupem o tempo da vida dos filhos que DEVERIA ser ocupado pelos pais. Não é por caso ser comum nos dias de hoje lermos nos jornais sobre pais procurando as delegacias para relatar o desaparecimento de seus filhos, não por sequestro mas por que eles próprios decidem cada vez mais cedo partir. Mas a conta por esse comodismo na educação dos filhos pode ser muito alta e é paga não só pela família de cada jovem que se perde, mas também, por toda a sociedade.

Passada essa primeira fase da vida, tudo é mais difícil de ser combatido. Trocamos a estratégia de boa formação familiar (a qual deve ser baseada no amor e na DISCIPLINA), pelo poder coercitivo do Estado. O estado como garantidor do contrato social tem o dever de manter a segurança e a paz social se valendo de diversas estratégias, que em regras tem caráter repressivo, cuja sua face mais vista e sentida pela sociedade é a Polícia Militar.

Temos também o judiciário e as políticas públicas (fala-se aqui das políticas públicas de caráter sério, com regras claras e rígidas, que fortaleçam valores éticos e morais). Tudo isso é valido e se comprometidamente posto em prática, com fiscalização séria, onde para cada conduta há efetiva resposta, tendo como norte a impunidade zero desde as condutas de menor ofensa, por certo os resultados serão positivos. Mas voltando e encerrando essa reflexão, acredito que existem pessoas (por questões genéticas, ou psicológica, ou mesmo por falhas na educação), que mesmo diante do exaurimento dos recursos repressivos do poder estatal, se mostram irrecuperáveis, incapazes de conviver no seio social sem pô-lo em risco. E é aqui, nesse último contexto, que eu me inclino ao pessoal das exatas..

OTÁVIO MANOEL FERREIRA FILHO

Tenente Coronel PM Sub Cmt

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