Papai dá embaixada de presente para filhinho – Por Gabriel Wilhelms

A embaixada do Brasil nos EUA está sem embaixador desde abril, quando Ernesto Araújo removeu Sergio Amaral do cargo. Na ocasião Bolsonaro chegou a dizer que sua imagem “não estava boa no exterior”, sendo apresentado como “ditador, racista e homofóbico”.

 Muito mais do que uma ação de marketing pessoal, a substituição agora revela faceta mais constrangedora. É que a idade mínima para o cargo de embaixador é de 35 anos. Eduardo Bolsonaro, completou 35 anos nesta quarta, 10. Ainda no espírito de comemoração do aniversário do pimpolho, Bolsonaro anunciou a intenção de nomeá-lo para o cargo, um dos mais cobiçados do Itamaraty. 

 Fica evidente que Bolsonaro postergou a nomeação visando “guardar” o cargo para Eduardo. É preciso ser muito cínico para afirmar o contrário e muito imbecil para acreditar. 

 Para justificar a competência do filho para o cargo, o presidente cita inclusive suas relações com a família Trump. Talvez Bolsonaro, que já afirmou querer acabar com o “viés ideológico” nas relações diplomáticas, não saiba ou não se importe que relevante para a natureza do cargo são as relações com o país em questão, e não com o presidente deste país. Aliás, EUA terão eleições no ano que vem. Arriscando Trump perder para um(a) democrata, não duvidaria que Bolsonaro fizesse sobre as eleições de lá os mesmos comentários deselegantes que faz sobre as da Argentina, quem sabe aventando a hipótese de termos uma Venezuela na América do Norte.

 Eduardo também não se acanha e defendendo a “missão” diz que tem “vivência pelo mundo” e que já “fritou hambúrguer nos EUA”. Claro que arrisca cair no ridículo ao listar seus atributos para o cargo porque não pode falar o principal: é filho do presidente, e papai quis dar a embaixada de presente para o menino.

 Agora imaginem qualquer outro presidente fazendo a mesma coisa, em especial se fosse um presidente petista. Qual seria a reação dos sequazes de Bolsonaro? 

Insistindo na ideia, que já virou chacota, Bolsonaro bancará mais uma vez a vítima e tentará atuar como surpreendido diante do absurdo que é evidente para qualquer pessoa sensata. É como a criança que faz a arte e se queixa da repreensão dos pais, tirando o fato de que a criança em questão tem 64 anos e é presidente da República. 

 Seguindo com a nomeação, a palavra final é do Senado, e resta esperar que esta casa, que sempre se espera que seja um depositário de bom-senso, não colabore para envergonhar o país dando para o fritador de hambúrgueres filho do presidente uma posição de representação diplomática em uma das embaixadas mais importantes do país.

Gabriel Wilhelms

 

 

 

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