Paixão e Morte de um Homem Livre reúne pela primeira vez os atores voluntários de 2017 (Guabiruba)

Evento será realizado nos dias 13 e 14 de abril, no pátio da Igreja São Cristóvão, bairro Aymoré, em Guabiruba

Dezenas de pessoas, moradoras de Guabiruba e região, acordaram mais cedo na manhã nublada deste domingo, 6 de novembro. Todas elas, unidas e motivadas por uma paixão: a Paixão e Morte de um Homem Livre, espetáculo realizado pela Associação Artístico Cultural São Pedro (AACSP), que chega à sua 21ª edição em 2017.

Apesar de o novo projeto ter iniciado ainda em 2015 e ser desenvolvido ao longo deste ano com a escolha dos atores principais, gravações de falas, pesquisa e elaboração de novos figurinos, apenas na manhã de hoje foi realizado o primeiro encontro geral, que reuniu a diretoria da AACSP, a equipe técnica e cerca de 100 voluntários.

“No ano passado começamos a escrever o novo roteiro e o projeto foi enviado ao Ministério da Cultura. Em fevereiro finalizamos o texto e, entre abril e maio, convidamos os atores que terão falas. Nos encontramos algumas vezes para leitura e interiorização de cada personagem. Isso antecedeu a gravação em estúdio, iniciada em agosto e agora praticamente finalizada. Temos definida também a estrutura dos palcos, que começarão a ser montados no início do ano e a expectativa é que estejam prontos para o primeiro ensaio, no dia 5 de março de 2017. Queremos contar mais uma vez com o apoio de todos, porque manter o padrão do que foi apresentado em 2015 e ainda acrescentar melhorias é um trabalho árduo, que exige dedicação, mas que fazemos com alegria”, explica o presidente da AACSP, Marcelo Nascimento.

Para o vice-presidente da AACSP e diretor executivo do espetáculo, Nilson José Ebele, a edição de 2017 também é um desafio: é a primeira vez que ele deixa os palcos para auxiliar na coordenação. “Nosso principal foco é passar a mensagem da paixão, morte e ressurreição de Cristo. E vamos fazer isso com trabalho em conjunto. Então quero agradecer desde já o empenho e a doação de todos, ao longo dos ensaios, até a apresentação”, destaca Ebele.

 A inspiração

De acordo com o diretor do espetáculo, Marcelo Carminatti, o teatro “Paixão e Morte de um Homem Livre” foi inspirado na música “Luz das Nações”, interpretada pela banda Anjos de Resgate. Uma só terra e um único Deus: a história de Jesus narrada por Maria, já que ninguém conhece o filho melhor do que a mãe.

A arte que envolve o espetáculo também já está pronta e cheia de simbologia. O fundo, que dá a impressão de mal pintado, remete ao papiro, o papel da época, usado como ferramenta de comunicação. As informações estão dispostas em formato de cruz, para que se lembre o objetivo principal do evento. “Deus é o ator principal e é também o comandante geral do nosso trabalho. A exemplo de João Batista cabe a todos nós deixar que Ele cresça e que a gente desapareça. O orgulho e a vaidade querem nos dar destaque, mas devemos escolher ser apenas um instrumento de evangelização através do projeto”, orienta Carminatti.

A coroa de espinhos está presente para lembrar a dor, o sacrifício e a entrega de Jesus. Já sobre Nossa Senhora, uma auréola feita de lágrimas, representando o coração dilacerado no peito, enquanto se mantém firme, presente e silenciosa.

“Nós escolhemos a imagem clássica da Pietà (Michelangelo), que mostra esse momento íntimo, quando Maria recebe o corpo de seu filho morto no colo e se mantém firme. A paleta de cores que completa nossa arte também foi inspirada nos tons utilizados em pinturas medievais, da mesma forma que a fonte das letras”, salienta o diretor.

O espetáculo “Paixão e Morte de um Homem Livre” será apresentado no dia 13 de abril, às 21h e no dia 14 de abril, às 19h30, respectivamente Quinta e Sexta-feira Santa. O local é o pátio da Igreja São Cristóvão, no bairro Aymoré, em Guabiruba.

Cerca de 400 atores voluntários participam do projeto, que pode contar ainda com a presença de um ator profissional de renome nacional, ainda em fase de estudos e prospecção.

Um convite especial

Enquanto fazia um reparo em carpintaria na própria casa, o morador de Guabiruba, Genésio Razera, 51 anos, recebeu a visita do presidente da AACSP, Marcelo do Nascimento. Foi assim que ele recebeu e aceitou o convite para interpretar José, pai de Jesus, no espetáculo “Paixão e Morte de um Homem Livre”. “Nossa proposta é mostrar o lado humano de Cristo enquanto criança e adolescente. Ele, naturalmente, cresceu enquanto ajudava José na carpintaria”, conta Nascimento.

Faz 13 anos que Genésio, sua esposa Maria Helena e a filha Caroline, integram a equipe de atores voluntários do teatro. Durante esses anos ele já interpretou apóstolos, testemunhas e outros papéis coadjuvantes. Agora, se prepara para ser o pai do protagonista. “São seis frases que troco com Jesus e com Ebenezer, um comprador de móveis”, explica.

Já sua filha está envolvida com o projeto desde menina e, por algumas edições, compôs o elenco no qual Cristo contracena com as crianças. A esposa também participa, sempre disposta a ajudar no que for necessário.

“Na última edição pensamos em não fazer parte do projeto em 2017 para assistir ao teatro, ver como tudo acontece. E também pelo nervosismo das últimas semanas antes da apresentação, a preocupação com a chuva. Mas daí veio o Marcelo com esse texto e o convite para ser José. O engraçado é que ele foi carpinteiro e eu estava justamente arrumando o telhado, fazendo um serviço de carpintaria no momento do convite. Minha família então apoiou, disse que eu iria conseguir. Acabei aceitando”, relata Genésio.

Além do marido, esposa e filha, no próximo ano a família Razera vai contar com mais um integrante do time no projeto: Jucinei Caetano Junior, namorado de Caroline, que assistiu pela primeira vez o espetáculo em 2015 e está ansioso para participar.

“Como já estamos acostumados, no ano que não tem teatro, parece que a Páscoa perde um pouco do sentido, fica um vazio. É puxado ensaiar aos domingos, mas também é um tempo de preparação espiritual. Quem leva esse trabalho a sério, sabe o quanto mexe com o sentimento das pessoas”, ressalta Genésio.

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