Os protestos do dia 26 são uma imbecilidade – Por Gabriel Wilhelms

Protestos são um instrumento democrático importante, uma forma de demonstrar descontentamento e de clamar por mudanças de rumo nas políticas do governo de situação. Não necessariamente são um ato de repúdio total ao governo, mas podem advir de pautas específicas, como os recentes protestos contrários ao contingenciamento de gastos do MEC. Um protesto só é protesto quando visa um alvo, sendo esse alvo o objeto da mudança pretendida. Sendo assim, protestos em “apoio” ao poder já estabelecido, são uma incongruência, uma imbecilidade.

Se o protesto é em apoio ao governo, logo esse, como é usual não poderia ser o alvo, então quem seria? Sobram as demais instituições democráticas, como o Congresso e o STF, como as páginas e perfis dos apoiadores do protesto deste dia 26/05 não deixam mentir. Registra-se isto, os protestos de domingo são um protesto contra as instituições, que tenta agora se mascarar em apoio à reforma da previdência e contra o “centrão”, como se protestar contra blocos políticos integrantes do Congresso fosse menos pernicioso do que defender o fechamento do Congresso em si – o que muitos dos entusiastas do dia 26 de fato defendem.

Os manifestantes, indubitavelmente eleitores de Bolsonaro, não parecem suficientemente contentes com este ter vencido as eleições e estar sentado na cadeira presidencial, pensam que ele é vítima de um complô da “velha política” e de um sistema que não o deixaria governar. Não, as dificuldades que Jair Bolsonaro tem para governar advém de suas próprias limitações.  

E não se enganem, o protesto golpista e com pautas antirrepublicanas, passa longe de um movimento “espontâneo, como diz o presidente, indo em linha com a carta que compartilhou recentemente, com ataques às instituições e que falava ameaçadoramente de “conchavos” para inviabilizar seu governo. O protesto, ainda que organizado por militantes nas redes, atende, antes de tudo, ao chamado do próprio presidente, que segundo interlocutores, chegou a cogitar participar dos atos. Tivesse seguido firme com a ideia e daria um bom argumento para embasar um processo de impeachment.

 Felizmente, o protesto não conta com apoio unânime entre os integrantes do círculo de apoio de Bolsonaro, recebendo críticas de movimentos como o MBL e do próprio presidente do PSL, Luciano Bivar. Claro, que parte disso se deve a autopreservação, pois certos apoiadores não ficaram constrangidos em apoiar Bolsonaro, desde o primeiro turno, mesmo sabendo se suas inclinações pouco-democráticas e de sua simpatia por governos autoritários de direita.

Dos que marcarão presença dia 26 restam os fanáticos, os mais extremistas dentre os extremistas, aqueles que na ocasião do impeachment de Dilma apareciam para achincalhar os protestos com seus cartazes de “intervenção militar”.

Nos resta torcer para que os protestos sejam um fracasso completo, de modo a mostrar que os radicais são a exceção e que para governar o presidente precisa dialogar com os moderados, bem como moderar a si mesmo.

Gabriel Wilhelms

 

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