‘O segmento de inovação foi um dos grandes destaques de 2016’ , afirma o diretor financeiro do BRDE

Em entrevista à Agência Adjori/SC de Jornalismo, para a Rede Catarinense de Notícias, Renato de Mello Vianna falou sobre o crescimento da instituição, a despeito da crise

 Agência Adjori de Jornalismo – O Banco teve um acréscimo na capacidade de financiamento muito expressivo nos últimos anos, devido a repasses dos três estados do sul. Qual é a tendência para a capitalização do BRDE nos próximos anos? 

Renato de Mello Vianna – O BRDE teve, recentemente, a capitalização por meio de seus três sócios, os Estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Essa capitalização, em igualdade de condições, permitiu que o BRDE elevasse sua capacidade de concessão de crédito e que trouxesse benefícios para a economia dos três estados. Com isso, o BRDE pode criar alguns programas, como o BRDE Municípios, e ampliar sua atuação em outros segmentos em Santa Catarina, como no microcrédito, na inovação e no setor automobilístico. Novas capitalizações dependem de decisões dos estados controladores.

 

Adjori – Os contratos realizados pelo Banco têm fomentado a economia catarinense, principalmente a indústria e o agronegócio. Estes setores seguirão liderando em 2017?

Vianna – A conjuntura econômica para 2017 deve continuar afetando menos o agronegócio e, com isso, a tendência é que o agronegócio siga como um dos principais segmentos de atuação do BRDE. Para minimizar os efeitos da crise em Santa Catarina, o Banco vem criando mecanismos que permitam que outros segmentos – mais impactados pela conjuntura econômica – continuem sendo atendidos e investindo, com o apoio do BRDE.

Adjori – -Por outro lado, o BRDE também tem dado apoio a setores estratégicos, como geração de energia e inovação. Qual a importância desses investimentos para a conjuntura econômica do estado?

Vianna – Em momentos de redução da atividade econômica, o empresariado tem focado seus investimentos em projetos que elevem a eficiência e a produtividade. Neste contexto, o programa SC + Energia, criado pelo governo do Estado e do qual o BRDE faz parte como agente financeiro, é de fundamental importância. Aumentar a geração de energia dentro de SC buscando a autossuficiência do Estado na produção de energias limpas e renováveis vai ao encontro desse objetivo, de aumentar a eficiência energética e a capacidade de geração própria de energia. No mesmo caminho, os investimentos em inovação também focam no aumento da produtividade, por meio do desenvolvimento de novos produtos, processos ou serviços que incrementem a eficiência ou gerem valor para o negócio. Esses dois segmentos movimentam uma enorme cadeia produtiva. No caso da geração de energia, por exemplo, movimenta o setor de exportação de serviços, empresas de engenharia, consultorias, além de fabricantes de equipamentos, obras civis, movimentando a economia e contribuindo para a sustentação de empregos neste momento difícil.

Adjori – A partir de um cenário desfavorável da economia, como foi o desempenho do BRDE na oferta de crédito para o investimento produtivo em 2016?

Vianna – A agência do BRDE em SC conseguiu, apesar do momento desfavorável, manter bons níveis de aplicação de recursos, comparativamente a outras instituições financeiras de fomento ou privadas. O Banco manteve-se em um patamar interessante de aplicações de R$ 850 milhões no Estado em 2016. Esse montante, acrescido dos investimentos das próprias empresas nos projetos apoiados pelo BRDE, soma cerca de R$ 1 bilhão em investimentos no Estado. O segmento de inovação foi um dos grandes destaques de 2016, com o BRDE mantendo a liderança nacional nos repasses da Finep e da linha BNDES MPME Inovadora. Em Santa Catarina destacam-se ainda os programas BRDE Municípios, que injetou R$ 80 milhões em municípios do Estado, o programa BRDE Produção & Consumo Sustentáveis, que engloba investimentos em energias renováveis e eficiência energética e também na agricultura sustentável, com R$ 60 milhões, e ainda o segmento de microcrédito, com operações somando R$ 40 milhões.

No ranking das instituições de crédito credenciadas do BNDES, o BRDE continua em posição de destaque, a despeito do ano complicado. De janeiro a outubro, o BRDE foi o principal operador da linha BNDES Automático no País com R$ 525,2 milhões em financiamentos no período, mesmo atuando apenas nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. No repasse dos Programas Agrícolas do governo federal, o BRDE só ficou atrás do Banco do Brasil, tendo aprovado operações no valor de R$ 988,1 milhões. O BRDE também chegou à primeira posição no total das operações indiretas dos credenciados na Região Sul, com R$ 1,9 bilhão contratados, superando instituições como o Bradesco, que teve R$ 1,8 bilhão.

 

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