O PT, mais uma vez presta auxílio a Bolsonaro- Por Gabriel Wilhelms

Logo após a posse de Nicolás Maduro, para seu terceiro mandato consecutivo como presidente da Venezuela, a OEA (Organização dos Estados Americanos) divulgou uma declaração em que diz não reconhecer a legitimidade do novo mandato de Maduro, reeleito com quase 70% dos votos, numa eleição boicotada pela oposição e marcada pelas denúncias de fraude. Dos 34 países membros, 19 votaram a favor da resolução (dentre os quais o Brasil), seis contrários, oito se abstiveram e um estava ausente.

A controvérsia em torno da eleição de Maduro dispensa maiores delongas. Me atenho aqui, àquilo que concerne à nossa política doméstica, ao fato de a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, ter achado uma boa ideia comparecer à posse do ditador venezuelano.

Ao menos não podemos acusar Gleisi e seu partido de falsidade, pois é fato que nunca os vi negar o apoio ao governo venezuelano, bem como este ato mostra que mesmo após a recente derrota nas urnas, em parte causada pela associação com o autoritarismo de esquerda latino-americano, que esvaziou o partido como opção democrática diante de um pretenso autoritarismo de direita, deixa bem claro qual é a opção do partido, e que uma guinada ao centro não está no horizonte.

Claro que podem dizer que atacar o PT é como chutar cachorro morto, exceto que não é. O partido foi responsável por eleger a maior bancada da câmara, e irá figurar como um dos principais partidos de oposição. Na verdade, quanto a esta questão, podemos esperar para ver o partido tentando buscar hegemonia no posto de oposição. Fato é, que hegemônico ou não, o partido pode fazer dois tipos de oposição, a que é produto da genuína divergência, ou a que simplesmente visa atrapalhar e embaraçar os trabalhos do governo, mesmo quando necessários e urgentes, como veremos testado, em breve (espera-se), com a reforma da previdência.

Parte das razões elencadas por Gleisi para ter ido à posse, foi dar uma resposta à posição do governo de Bolsonaro em relação a Venezuela. Tudo que conseguiu foi associar ainda mais a imagem de seu partido com a ditadura de Maduro. Agindo dessa forma em seu papel inevitável de oposição, o partido tenderá a prestar um serviço a Bolsonaro, cujo governo dá fortes sinais de que está disposto a travar uma “guerra ideológica” contra as “ideologias”.

 O que os lunáticos que acham que Trump é guiado pela mão divina contra o “globalismo”, que a cor da roupa com as quais os pais vestem os filhos é produto da “ideologia de gênero”, e que estão livrando o Brasil do socialismo, nada melhor do que um(a) adversário(a) que vai beijar a mão de um socialista.

Talvez o partido contemple a possibilidade de chutar Gleisi da presidência nacional e dar lugar a um nome menos radical. Resta saber se sobraram não-radicais no partido, que não abdicou do radicalismo nem diante da provável derrota que os aguardava nas urnas em outubro passado. O comportamento do partido, antes e depois da derrota, demonstra que embora possa se dizer que Jair Bolsonaro, no alto de sua obtusidade não merecesse ganhar, o PT certamente mereceu perder.

Gabriel Wilhelms

 

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