‘Nós temos que reformular o papel da educação’, diz Glauco José Côrte

Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, presidente da Fiesc fala sobre o movimento Santa Catarina pela Educação

Dirigente reuniu a imprensa para fazer um balanço do ano

Em entrevista à Agência Adjori de Jornalismo, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Glauco José Côrte, fala sobre educação, economia e futuro. Confira:

Agência Adjori de Jornalismo – O que inicialmente era uma iniciativa da Fiesc, o “Movimento A Indústria pela Educação” foi ampliado, neste ano, para “Santa Catarina pela Educação”, com o apoio de outras entidades e até do governo do Estado. Por que é importante uma instituição como a Fiesc investir em educação?
Glauco José Côrte –
No nosso entendimento, a educação é tão importante que não pode ficar a cargo apenas do setor público. As indústrias e empresas que querem ter trabalhadores mais qualificados precisam investir na preparação dos seus profissionais. O fato de termos tido a adesão da Federação do Comércio (Fecomércio-SC), Federação da Agricultura (Faesc), e dos Transportes (Fetrancesc), ampliou o universo a ser atendido. Nós temos cerca de 750 mil trabalhadores no setor industrial, e, provavelmente, esse mesmo número é a soma das demais federações. Então, estamos falando de cerca de 1,5 milhão de trabalhadores.

Adjori – Neste ano, além de o projeto ter sido ampliado, recebeu o Prêmio Top de Marketing e Vendas da ADVB/SC, na categoria serviços. Quais são as principais novidades para 2017?
Côrte –
No início do ano nós vamos retomar fortemente as campanhas de mobilização, mostrando que a educação é a melhor amiga do jovem e do trabalhador. Neste ano, vamos focar na questão dos professores. Em 2016 o foco foi gestão escolar, em 2015 foi o jovem, em 2014 a família. Nós consideramos realmente fundamental melhorar o nível de escolaridade, porque 65% das crianças de hoje vão trabalhar em ocupações (profissões) que ainda não existem, segundo o Fórum Econômico Mundial. Olha o tamanho do desafio. Como a escola vai preparar uma criança, um jovem, para uma profissão que nem sequer existe? Então, realmente, nós temos que reformular o papel da educação.

Adjori – Embora 2016 tenha sido um ano difícil para a economia, em Santa Catarina a indústria de transformação abriu 5 mil vagas de trabalho. A que se deve esse saldo positivo em um momento tão delicado?
Côrte – Se deve a duas razões principais: a primeira é o fato de Santa Catarina ter uma indústria muito diversificada – e nós temos a indústria de transformação mais diversificada do país. Não dependemos de um ou dois segmentos industriais, apenas. A outra razão é o próprio espírito do nosso industrial. Ele é muito determinado, olha pra frente, continua investindo, inovando, buscando inovação como um fator de melhoria da competitividade, e é isso que nos dá uma condição melhor quando comparamos Santa Catarina com outros estados.

Adjori – Qual é o balanço de 2016 para a Federação? Quais as perspectivas para 2017?
Côrte – Nós acreditamos, firmemente, que vamos ter um ano melhor do que os últimos três anos. É claro que não teremos nenhuma movimentação de euforia, mas os sinais indicam que nós vamos voltar a crescer, ainda que moderadamente. Estaremos preparados para voltar a crescer em um ritmo mais intenso em 2018.

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