No Dia Mundial do Doador de Sangue, SC comemora por ter o maior doador do Brasil

Considerado o mês vermelho, junho é marcado por importantes ações quando se fala em doação de sangue. O Centro de Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) pretende estimular mais pessoas a doar sangue nos hemocentros do Estado. Comemorado nesta quinta-feira,14, o Dia Mundial do Doador de Sangue é uma data especial da campanha do Hemosc: “Um mês que vale por muitas vidas”.

“O sangue é um produto sem substituto, nós não conseguimos comprá-lo e dependemos exclusivamente da generosidade de um ser humano para com o outro“, explica Patrícia Carsten, gerente técnica do Hemosc.

Mais do que um ato de solidariedade, é uma forma de transformar a vida de quem precisa. Uma única doação, que retira em torno de 450 ml do seu sangue, pode salvar diversas pessoas. O ato é 100% seguro para o doador e exige um rígido controle de qualidade do sangue recebido.

Muita gente ainda tem dúvidas e por isso acaba deixando de doar. Para aqueles que querem apenas saber como funciona, é possível ir até o Hemosc conhecer o processo, sem realizar a doação num primeiro momento.

A importância do doador recorrente

O doador recorrente é aquele que cumpre os prazos para manter a doação em dia. Mulheres podem doar a cada 90 dias, não ultrapassando três doações por ano. Homens a cada 60 dias, não ultrapassando quatro doações ao ano.

Luís Cláudio Soares Rodrigues, 48 anos, é militar da Aeronáutica e o maior doador de sangue do Brasil. Natural do Rio de Janeiro mora em Florianópolis desde 1996 e começou a doar sangue em 1989, na cidade de Manaus, onde doou sangue 10 vezes. Este mês, completa 202 doações.

“Através de uma campanha simples na televisão, eu fiquei sabendo da necessidade que existia da recuperação de estoques e me identifiquei com aquilo. A partir daquele momento não parei mais e já se foram mais de 30 anos em termos de doação de sangue e plaquetas”, conta Rodrigues. Em 1998 um amigo apresentou a doação de plaquetas por aférese e passou a contribuir também com esse tipo de coleta.


Foto arquivo: Paulo Goethe/SES

Flávio Domingues, 65 anos, analista de sistemas aposentado, mora em Florianópolis há 39 anos e também é doador recorrente de sangue. Já realizou 124 doações de sangue. O exemplo de Flávio veio de casa. “Minhas primeiras doações aconteceram na companhia do meu pai, que era doador recorrente em São Paulo e foi ali que eu experimentei a atividade e gostei”, relembra Flávio.

Além de sangue, Flávio doa plaquetas há mais de 20 anos. Para ele a sensação de estar sendo útil e de alguma forma contribuir para a vida de outras pessoas é um dos motivos principais para a doação. “Cada um de nós que apresenta saúde adequada deveria se programar para, periodicamente, visitar o Hemosc, estabelecendo uma rotina de doações, não dependendo apenas das campanhas. O ideal é que cada um de nós estabeleça uma campanha pessoal”, recomenda.

“Esses doadores são o nosso maior patrimônio, sem eles não teríamos como atender as demandas dos pacientes. Esse tipo de doador é a pessoa ideal, porque vem com tanta regularidade que é uma pessoa com menor chance de ter problemas durante a doação, porque já conhece todo o processo, não fica ansioso”, exalta Patrícia.

Dados sobre doações

No primeiro semestre de 2018, o Hemosc já registrou um crescimento no número de candidatos a doadores, com 70.498 pessoas até o dia 11 de junho. Esse total se refere aos que estiveram no local, independente de passarem ou não na triagem. Durante todo o ano de 2017 foram 142.365 pessoas.

Já em doações efetivas, até 11 de junho deste ano foram 58.445 pessoas. Durante 2017, foram 117.776 doadores em Santa Catarina.

Os estoques têm validade

Os estoques possuem prazo de validade e, por isso, é tão importante que os doadores voltem ao Hemocentro após o intervalo necessário para doação.

O sangue quando doado é dividido em diferentes componentes, como hemácias, plaquetas, plasma, entre outros, para atender a diversas solicitações médicas e são distribuídos para hospitais e clínicas. O material é conservado em soluções anti-coagulantes e preservantes, que permitem as seguintes validades:

– concentrados de Hemácias: entre 21 e 42 dias;
– concentrado de Plaquetas: 5 dias;
– plasma: mantém-se congelado até a necessidade.

Todos os dias, às 5h, os estoques de sangue são atualizados no site do Hemosc, de acordo com o tipo sanguíneo.

“Nós precisamos de sangue o tempo todo. Se você tiver alguma dúvida se questione: e se fosse eu? Sempre há pacientes nos hospitais precisando de transfusão de sangue. Esse paciente poderia ser você ou alguém da sua família”, enfatiza a gerente técnica do Hemosc.

O que é preciso para doar sangue

Todos os candidatos passam por uma triagem clínica com entrevista, na qual é fundamental contar sobre seus problemas de saúde. Tudo o que você disser será mantido em sigilo e é imprescindível dizer a verdade, para que a doação não prejudique as pessoas que receberão seu sangue.

Para doar é preciso ter idade entre 18 e 69 anos, estar em boas condições de saúde – sem feridas ou machucados no corpo. É necessário pesar mais de 50kg (com desconto de vestimentas), ter repousado bem na noite antes da doação, evitar jejum (fazer refeições leves e não gordurosas nas 4 horas que antecedem a doação). É essencial evitar o uso de bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores.

Doadores com idade de 16 e 17 anos são aceitos desde que tenham a presença e autorização formal dos pais ou responsável legal.

O limite para a primeira doação é de 60 anos.

É imprescindível a apresentação de documento de identidade, com foto, emitido por órgão oficial.

“A doação de sangue não traz problema nenhum pra quem doa sangue, o material é todo descartável, não tem risco algum de contaminação”, explica Patrícia.

Sobre o Hemosc

Criado em 1987, baseado nas diretrizes da Coordenadoria Geral de Sangue, outros Tecidos e Órgãos (SAS), o Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemosc), surgiu com o objetivo de prestar atendimento hemoterápico de qualidade para a população da região, bem como dar assistência aos portadores de doenças hematológicas.

Substituindo o Centro Hemoterápico Catarinense, essa mudança permitiu a expansão do espaço, que em 1989 teve a área física e o quadro pessoal ampliados.

Com essa ampliação foi criado o Sistema Estadual de Hematologia e Hemoterapia para incorporar todas as ações relacionadas ao uso de sangue para fins terapêuticos; doação voluntária de sangue; medidas de proteção à saúde do doador e receptor; medidas para disciplinar a coleta e o controle de qualidade; condições de estocagem e distribuição de hemoderivados, além de promover o desenvolvimento de conhecimento científico e tecnológico na área.

Ajude a salvar vidas

Neste mês compareça a uma das unidades em Florianópolis, Blumenau, Criciúma, Tubarão, Joaçaba, Lages, Chapecó, Jaraguá do Sul ou Joinville e doe sangue!

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