Mulheres ocupam duas vagas na Mesa do Parlamento catarinense

Pela primeira vez, na história do Parlamento estadual, duas mulheres farão parte da Mesa, no período de 1º de fevereiro de 2017 a 31 de janeiro de 2019. À frente dos cargos de 2ª e 3ª secretária estarão as deputadas Dirce Heiderscheidt (PMDB) e Ana Paula Lima (PT), respectivamente.

A conquista dos cargos foi vista pela Bancada Feminina da Casa como um avanço, num espaço ainda tão dominado pelos homens. Com apenas quatro vagas, das 40 que compõem o Parlamento, as deputadas comemoram os pequenos avanços ao longo dos anos. Para a deputada Dirce, a composição é fruto do diálogo entre os parlamentares. Segundo ela, a indicação de duas parlamentares para a Mesa representa o reconhecimento do trabalho feminino. “É preciso mesclar e permitir a presença das mulheres para ser ter uma Mesa mais homogênea.”

Já a deputada Ana Paula ressaltou que o parlamento sempre foi muito democrático e eclético na sua composição, especialmente na última década, onde vem ocorrendo a eleição consensual. “O diálogo permite trabalhar uma composição visando abranger os partidos. Esse feito mostra um amadurecimento do diálogo realizado na Casa.”

História
Presente no Parlamento desde 1934, com a eleição da deputada Antonieta de Barros, a mulher tem conquistado lentamente, porém positivamente, seu espaço no Poder Legislativo. Desde a chegada da primeira parlamentar, outras 11 deputadas já ocuparam uma cadeira na Assembleia. Eleita por dois mandatos, Antonieta de Barros esteve no Parlamento (1935-1937) pelo Partido Liberal (PL) e (1947-1951) como suplente pelo PSD. Somente nove anos depois da eleição de Antonieta outra deputada foi eleita.

A segunda deputada eleita foi Ingeborg Colin Barbosa Lima, representando o PTB, no período de (1959-1963). Após seu mandato somente 24 anos depois uma nova deputada ocupou outra cadeira no Legislativo, desta vez foi Luci Choinacki, do PT (1987-1991). Na sequência a deputada Ideli Salvati (PT) foi eleita (1995-1999), sendo reeleita (1999-2003). Nesta mesma legislatura o Parlamento recebeu a deputada Odete de Jesus pelo Partido Liberal (PL).

De 2003 a 2007 o Parlamento era composto pelas deputadas Ana Paula Lima, Odete de Jesus e as suplentes Simone Schramm (PMDB) e Alba Schlichting (PFL). O período de 2007 a 2011 contou com Ada De Luca (PMDB), Ana Paula Lima, Odete de Jesus e a suplente Angela Albino (PCdoB).

Em 2011-2015 o Legislativo teve a maior bancada feminina com as deputadas Ada De Luca, Ana Paula Lima, Angela Albino, Dirce Heiderscheidt, Luciane Carminatti e a suplente Odete de Jesus. Na atual legislatura o Parlamento possui na bancada feminina as deputadas Ana Paula Lima, Dirce Heiderscheidt, Luciane Carminatti e Ada De Luca, licenciada para assumir a Secretaria de Justiça e Cidadania.

Em homenagem às 12 mulheres parlamentares da história da Assembleia Legislativa foi criada a Galeria Lilás. Localizada no Palácio Barriga Verde, a galeria é composta com uma foto de cada parlamentar.

Protagonista de uma mudança
Nascida em 11 de julho de 1901, Antonieta de Barros foi a primeira mulher a integrar a Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Educadora e jornalista atuante, teve que romper muitas barreiras para conquistar espaços que, em seu tempo, eram inusitados para as mulheres, especialmente para uma mulher negra.

Envolvida no intercâmbio com a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e na primeira eleição em que as mulheres brasileiras puderam votar e receber votos, filiou-se ao Partido Liberal, que a elegeu deputada estadual em 1934. Desse modo tornou-se a primeira mulher negra a assumir um mandato popular no Brasil, trabalhando em defesa dos diretos da mulher catarinense.

Opinião feminista
Ao considerar a eleição da deputada Antonieta de Barros um marco significativo para as mulheres e suas conquistas, a presidente da Casa da Mulher Catarina, Vera Fermiano, ressaltou que a conquista trouxe visibilidade e espaço para que outras mulheres pudessem entrar no mundo político. “A conquista do voto feminino em 1932 e a eleição da deputada  Antonieta em 1934 foi o começo do movimento feminista, onde a história de uma mulher negra e pobre conquistando uma vaga no parlamento inspirava o empoderamento das mulheres.”

Dentro da história marcante alcançada por Antonieta no cenário político, Vera acredita que ainda existe a necessidade de mudanças para que as mulheres possam ganhar mais espaço. Ao pontuar que desde 1934 até os dias atuais apenas 12 mulheres passaram pelo Parlamento catarinense, Vera considera que ainda se vive uma cultura muito machista. “Apesar das mulheres terem ocupado espaço, o homem ainda é visto como o provedor, onde ele é que tem o direito de estar no espaço público. Porém, vamos continuar propondo mudanças visando avanços.”

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