Johnson & Johnson deve pagar 1 bilhão a cliente com câncer

Nesta segunda-feira, um tribunal de Los Angeles, nos Estados Unidos, condenou a Johnson & Johnson a pagar 417 milhões de dólares (o equivalente a cerca de 1,3 bilhão de reais) a uma cliente que teria desenvolvido câncer de ovário depois de décadas utilizando o talco da marca na higiene íntima.

Processos

Eva Echeverria, de 63 anos, é uma das milhares de mulheres que abriramprocessos contra a empresa alegando que o produto teria causado seus tumores. A onda de ações começou após um estudo realizado por pesquisadores do País de Gales em 1971 ter encontrado partículas de talco em tumores ovarianos e cervicais. Até o momento, apenas algumas foram a julgamento. No entanto, na maioria dos casos, as decisões, foram contra a companhia.

No ano passado, um tribunal de Saint Louis, também nos Estados Unidos, condenou a J&J a pagar US$ 70 milhões (cerca de R$ 220 milhões) para uma cliente que fez a mesma alegação de Eva. Em maio deste ano, em Missouri, outro júri condenou a empresa  a indenizar uma cliente em US$ 110 milhões (R$ 345,4 milhões) pelo mesmo motivo. Estima-se que a empresa esteja respondendo entre 4.000 e 5.000 ações como essas.

Uso íntimo

Em um relato gravado em vídeo, já que ela está muito doente para comparecer ao júri , Eva contou que usou o talco desde os 11 anos até pouco tempo depois de ter sido diagnosticada com o câncer, em 2007, sem saber dos possíveis riscos apontados pelos estudos. Segundo o relato, ela só parou de usar o produto quando soube de outros processos contra a marca pelos noticiários.

Segundo informações do jornal americano The New York Times, é comum as mulheres utilizarem o talco, que tem como público-alvo crianças, como forma de prevenir assaduras na parte interna das coxas ou usá-lo na região íntima, para mantê-la seca e refrescada.

Potencial cancerígeno

Em 2006, a Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (Iarc) classificou o talco como um possível produto cancerígeno quando utilizado região genital feminina.

Embora nenhum resultado tenha sido conclusivo a esse respeito, especialistas acreditam quando o produto é usado nesse local, cristais podem migrar pelo trato geniturinário até a cavidade peritoneal, onde estão os ovários e desencadear a inflamação. O que pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento de câncer de ovário.

O lado da empresa

Apesar das condenações, a Johnson & Johnson alega que não há estudos que apontem que o talco seja um produto cancerígeno e anunciou que vai recorrer da decisão.

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