Janeiro teve a inflação mais baixa desde 1979

Dado é do IBGE, que avaliou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor ao longo da história. Baixa demanda do consumidor foi um dos fatores da queda

A inflação de janeiro foi a menor registrada para o mês desde o início das medições pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em dezembro de 1979. Com variação de 0,38% na comparação com dezembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mantém a trajetória de queda desde agosto: caiu para 5,35% no acumulado de 12 meses.

Em janeiro de 2016, a taxa havia atingido 1,27%. O dado é animador, mas pode ser considerado um reflexo da crise que o país atravessa: um dos fatores que impactou na baixa dos preços foi a queda na demanda de consumo. Ou seja, o brasileiro está comprando menos. Os artigos de vestuário tiveram a contribuição mais positiva, com uma deflação

de 0,36%. A energia elétrica, que desde dezembro está com bandeira verde, também influenciou.

De acordo com o economista da Fecomércio-SC Luciano Córdova, a expectativa é de que a inflação continue em queda, o que a levará ao centro da meta de 4,5% até o fim do ano. “Este movimento trará mais reduções da taxa básica de juros nas próximas reuniões do Copom, permitindo, assim, uma maior expansão do crédito e possível retomada do consumo”, afirma.

O presidente da FCDL, Ivan Tauffer, também vê o dado com otimismo. Para ele, a desaceleração do consumo vai forçar o aumento do crediário e consequente acesso maior ao consumidor. Tauffer diz que a inflação baixa devido à queda de vendas “não seria a melhor maneira de crescer, mas, qualquer coisa que estimule o consumo e melhore a economia é positiva neste momento”.

O quadro favorável deve reencorajar não só consumidores, como também os empresários, já que eles também terão crédito novamente para investir. “Esperamos que seja retomado inclusive o consumo do setor de vestuário”, avaliou o presidente da FCDL.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) variou 0,42% em janeiro e ficou acima da taxa de 0,14% de dezembro. A aceleração dos preços na passagem de dezembro para janeiro, no segmento de alimentação e bebidas foi de 0,08% para 0,35% e, na habitação, de -0,59% para 0,17%.

Já as tarifas dos ônibus urbanos, que subiram 2,84%, pesaram na alta da variação na comparação com dezembro do ano passado. Importante na despesa do consumidor, o transporte público tem expressiva participação de 2,61% na formação do IPCA.

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