Janeiro Branco alerta sobre necessidade de se tratar da saúde mental

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que em dez anos houve crescimento de 18,4% de casos de transtornos depressivos e de 14,9% nos de transtorno de ansiedade. Situação que tem afetado de forma direta o cotidiano das pessoas ao redor do mundo. Só no Brasil, mais de 5,8% da população sofre com algum tipo de transtorno depressivo e 9,3% de ansiedade, algo que está diretamente ligado, entre outras causas, à falta de cuidados com a saúde mental.

Para trabalhar essa questão, em 2014 surgiu a campanha Janeiro Branco. A ação começou com estudantes de psicologia de Uberlândia, no estado de Minas Gerais. O objetivo é de conscientizar, ou seja, chamar a atenção das pessoas para os cuidados com a saúde mental.

“Há um grande tabu quando se fala em saúde mental. E não se pode culpar a população, porque é uma questão histórica: quem procurava um profissional de saúde mental era considerado louco. Antigamente era assim, se dividia as pessoas entre os loucos e os saudáveis”, comenta o psicólogo brusquense Fillipe Martineghi.

Na avaliação dele, esse é um tipo de preconceito que inibe as pessoas de procurarem ajuda, algo que pode evitar o avanço de problemas dessa natureza. É importante que as pessoas olhem e avaliem com mais atenção a qualidade dos seus relacionamentos, seus objetivos de vida, a forma como lidam com os problemas e adversidades, seus hábitos e comportamentos pois muitos transtornos começam com pequenas coisas que são deixadas de lado e acabam evoluindo podendo chegar até em doenças ou problemas de ordem física. “Isso é bem comum. O Janeiro Branco vem para esclarecer esse assunto de saúde mental, orientar as pessoas a respeito do tema”, prossegue.

Efeitos envolvem o psicológico, o biológico e o social

Muitos transtornos de ansiedade podem servir como exemplos de transtorno causado pela falta de cuidados com a saúde mental. A pessoa passa a ter certos hábitos, a fim de evitar seus medos ou fugir da ansiedade que possui. Com o passar do tempo, eles se agravam a ponto de prejudicar sua rotina. Inclusive o convívio social.

Os sinais de que alguém precisa de ajuda ficam claros quando certas ações e atitudes passam a afetar, diretamente, sua rotina e funcionamento normal. A pessoa já não está dormindo direito, não consegue realizar atividades que antes executava sem problema algum, apresenta prejuízo de desempenho no trabalho, entre outros.

“Quando o transtorno está prejudicando o funcionamento normal da pessoa, bem com suas relações pessoais, então essa é a hora de procurar ajuda, mesmo que o transtorno seja em níveis mais leves (…) O suicídio ocorre, na maioria das vezes, quando pequenas situações foram deixadas de ser tratadas e acabaram evoluindo, até chegar a um ponto em que a pessoa não vê mais esperança, não tem mais visão de futuro”, frisa o psicólogo.

A campanha do janeiro Branco começou com pequenas palestras e têm se difundido bastante por meio de ações na internet, através das redes sociais. Publicações que buscam conscientizar sobre o problema. Isso porque de 2005 a 2015 houve aumento no número de pessoas com transtornos depressivos: no mundo há cerca de 322 milhões. O Brasil é recordista em casos de transtorno de ansiedade, segundo a OMS, com 9,3% da população inserida nesse grupo.

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