Início da temporada frustra proprietários de bares e restaurantes em Santa Catarina

Apesar do resultado, pesquisa da Abrasel aponta otimismo para o restante do verão

Mesmo com a expectativa alardeada pelo governo estadual e Prefeitura de Florianópolis de um maior número de turistas em Santa Catarina nesta temporada, os proprietários de bares e restaurantes do litoral ficaram frustrados com o movimento entre Natal e Réveillon. Os dados constam da pesquisa de satisfação realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em parceria com o Instituto Federal de Santa Catarina, por meio de trabalho coordenado pelo professor Tiago Savi Mondo, do Grupo de Pesquisa em Gestão do Turismo da instituição de ensino.

No consolidado estadual, houve queda no número de clientes para 72,2% dos entrevistados – destaque para Florianópolis (84,1%), litoral norte (80%) e litoral sul (76,5%). “Não atribuímos os números somente à crise econômica, já que o calendário também não ajudou. As datas festivas caíram nos fins de semana e o clima foi mais propício para refeições em casa ou mesmo na praia. Falando de Florianópolis, o anúncio de que não teríamos Réveillon na Beira-mar e a falta de definição em relação ao funcionamento dos beach clubs de Jurerê também contribuíram para este resultado”, afirma Raphael Dabdab, presidente da Abrasel em SC.

Por outro lado, a expectativa de melhora até o fim da temporada é alta: nos dados gerais, o percentual fica em 43,3% entre aqueles que acham que o verão fechará melhor do que o último. Em Florianópolis esta é a previsão para 59,1% dos entrevistados, enquanto no centro (entre Florianópolis e Itapema) este dado fica em 63,3%. “Os argentinos ainda não chegaram em grande número e são esperados a partir deste fim de semana”, diz Dabdab, comentando que eles ajudaram muito o setor na temporada passada.

Para os proprietários o gasto médio também ficou abaixo do verão passado neste período: esta foi a avaliação para 49% no cômputo geral – em Florianópolis, tiveram essa percepção 56,8% dos consultados. Na região norte, o percentual ficou em 40% e no sul do estado, em 35,3%. “Além da crise, um dos grandes motivos foi a queda no número de turistas paulistas, de maior poder aquisitivo”, diz Dabdab, ponderando também os altos custos operacionais do setor. “Matérias-primas, mão de obra e aluguéis, por exemplo, estão entre o mais altos do Brasil em nosso estado. Isso compromete nossa competitividade”, frisa.

Quanto aos gargalos da temporada, as principais reclamações ficaram com as questões de segurança, saneamento básico e, principalmente, a falta de fiscalização diante do aumento expressivo dos ambulantes ilegais.

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