Incerteza com reforma reduz confiança dos micro e pequenos empresários

O percentual de otimistas com a economia passou de 80% para 75%. Também houve retração na confiança no próprio negócio, que passou de 84% para 78%

Segundo pesquisa do SPC Brasil, a confiança dos micro e pequenos empresários brasileiros caiu 1,4 pontos em março, passando de 65,5 para 64,1 pontos. Especialistas apontam que o motivo é a incerteza quanto à aprovação de reformas, como a da Previdência, consideradas essenciais para equilibrar as contas públicas. O índice varia de 0 a 100 pontos.

No indicador que mede as expectativas para o futuro da economia, também houve recuo. Eram 77,8 pontos no início do ano contra 74,2 registrados em março. O percentual de otimistas com a economia passou de 80% para 75%. Também houve retração na confiança no próprio negócio, que passou de 84% para 78%.

Mesmo com uma retração mensal na expectativa de retomada econômica, a confiança com o futuro da economia permanece em patamares elevados. Na comparação com março de 2018, houve um avanço de 16%. O otimismo vem da percepção de que o cenário político está mais favorável (38%) e da aceitação das medidas econômicas do governo (32%). Outros 34% dos entrevistados não sabem dizer uma razão específica para essa confiança e 29% mencionaram a melhora de indicadores econômicos.

Já os principais fatores citados para o otimismo com os próprios negócios são o fato de a economia mostrar sinais de melhora (30%) e a boa gestão dos negócios (29%). Além desses, 29% afirmaram estar investindo de olho em um cenário melhor, 24% não sabem ao certo as razões e 16% disseram vivenciar um período do ano favorável para as vendas.

Na avaliação do presidente da CNDL, José Cesar da Costa, o recuo da confiança pode ser explicado em grande parte pelas incertezas políticas, principalmente quanto à aprovação da reforma da Previdência. “É preciso que as intenções da nova equipe econômica se traduzam em medidas concretas, que mesmo não surtindo tantos efeitos no curto prazo terão grande peso sobre as expectativas. A reversão desse quadro de baixa confiança exige ações que tragam estabilidade macroeconômica e estimulem o crescimento do PIB, o que deve encorajar os micro e pequenos empresários a investirem e, por consequência, incentivar a geração de empregos”, explica.

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