Havia alguém por trás do jogo sujo das fake news? – Por Gabriel Wilhelms

A notícia de que empresários estariam comprando pacotes de disparos em massa contra o candidato do PT no WhatsApp, divulgada nesta quinta-feira, 18, pela Folha de S. Paulo, tem um potencial bombástico, e já está causando dramaticidade no cenário político, mas deve ser encarada com cautela.

O que lá está posto é grave, e se comprovado, poderia resultar numa eventual cassação de chapa. É pouco provável, para não dizer impossível, que o TSE acate o pedido do PT de tornar inelegível a chapa Bolsonaro/Mourão, estabelecendo uma disputa entre Haddad e Ciro Gomes no segundo turno.

O ministro Jorge Mussi, corregedor do TSE, decidiu nesta sexta-feira, 19, dar prosseguimento a ação apresentada pelo PT, dando 5 dias para Bolsonaro se pronunciar.

O que provavelmente ocorrerá, trabalhando com a possibilidade, muito forte, de Bolsonaro vencer a disputa, é que o PT e/ou outras partes, apresentará pedido de impugnação da chapa, dentro da janela de 15 dias após a diplomação, como manda a lei. Aécio Neves fez o mesmo com a chapa Dilma/Temer em 2014. A ação, vale lembrar, só seria julgada três anos depois, com Temer já na presidência.

Nas redes já se operam ataques contra a jornalista Patrícia Campos Mello, responsável pela matéria, aventando a hipótese de um suposto complô partidário.  Muitos afirmam que se trata de fake news, apontando para a falta de provas na matéria.

Não há, de fatos provas que corroborem a afirmação no texto, e imagino que até o dia 28, nenhum jornal revelará nada neste sentido. Se a Folha tivesse algo de mais concreto, certamente não teria se esquivado de publicar. Isso por si só não significa que seja mentira, e a resposta para esta questão, creio eu, não virá da imprensa, e sim da investigação conduzida pelo TSE.

 Se comprovado, o esquema seria uma explicação plausível para o volume monstruoso de fake news, em grande parte contra o PT, que pipocaram nas redes nestas eleições. Se não comprovado no decorrer da investigação, a coisa poderia fortalecer Bolsonaro, que passaria por vítima de uma tentativa de golpe do PT.

 Há quem esteja usando o episódio em favor de Bolsonaro, relativizando ou menosprezando a existência das tais fake news. É importante dizer que, independente da matéria da Folha, o problema das fake news nestas eleições, é fato inquestionável. Acredito, aliás, que elas tiveram papel preponderante na composição deste segundo turno.

 Em maio deste ano fui em uma palestra do filósofo Luis Felipe Pondé, que tinha como tema “Ética e Política- O Futuro da Sociedade”. Na palestra ele falou sobre o processo eleitoral que se aproximava, e me recordo de ouvir sua afirmação de que levaria a melhor nestas eleições, o candidato que melhor soubesse usar o WhatsApp. Acredito que sua previsão estava correta. Não afirmo com isso que Bolsonaro é culpado de coisa alguma, muito embora, para uma eventual cassação de chapa, bastaria estabelecer o vínculo dos fatos com a campanha do hoje candidato, não necessariamente seu envolvimento pessoal.

Tudo indica que ele será eleito, e tudo indica que começará o mandato investigado, o que é mais um tempero para os prováveis solavancos políticos que teremos.  O jogo sujo das fake news foi jogado, isso é um fato. Agora é preciso determinar se há uma responsabilidade maior por isso, do que simplesmente a espontaneidade e ingenuidade das pessoas.

Gabriel Wilhelms

Deixe sua opinião