“Foi perversão de um psicopata”, diz delegado de Janaúba sobre vigia ateou fogo em crianças

O vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, responsável por atear fogo em crianças e professores em uma crechede Janaúba, Minas Gerais, na quinta-feira, “premeditou o crime” e tinha um histórico de “surtos psicóticos”. A data do crime coincide com o aniversário de três anos da morte do pai de Santos. De acordo com o delegado Bruno Fernandes Barbosa, responsável pelo caso, o autor da chacina que deixou até o momento cinco crianças e uma professora mortos sofria de “delírios e mania de perseguição”. Santos morreu na tarde desta quinta-feira, após ser internado em estado grave com queimaduras por todo o corpo. Outras 43 crianças e adultos estão em tratamento nos hospitais de Janaúba, Montes Claros e Belo Horizonte, com queimaduras e problemas respiratórios.

Uma perícia preliminar feita na creche aponta que Santos chegou a trancar duas salas de aula para impedir que as crianças fugissem do local, e uma professora entrou em luta corporal para tentar conter o vigia. A funcionária seria Helley Abreu Batista, de 43 anos, que também morreu em decorrência das queimaduras sofridas no ataque. O teto das salas era de material plástico altamente inflamável, o que pode ter contribuído para o grande número de vítimas.

Barbosa entrevistou familiares do vigia, que confirmaram a instabilidade psíquica do autor do crime. “Em 2014 ele saiu de casa porque tinha mania de perseguição, achava que a mãe e outras pessoas estavam envenenando a comida dele, e isso estaria provocando uma doença gástrica nele”, disse o delegado. Recentemente ele chegou a dizer a familiares que “iria dar um presente a eles, e iria morrer”. Na casa de Santos foram encontrados galões com álcool, que ele utilizava para manter os picolés que vendia a uma temperatura mais baixa.

A polícia irá realizar testes toxicológicos para determinar se o vigia estava sob efeito de drogas no momento do crime. No entanto, uma testemunha que abriu a porta para que ele entrasse na creche afirmou que o comportamento de Santos era “normal” no dia. Ele havia passado três meses de férias, tendo retornado ao trabalho uma semana antes do crime. No entanto, ele trabalhou um dia e desapareceu. “Então na quinta-feira ele foi até a creche para apresentar um atestado médico”, diz o delegado. A polícia ainda não sabe o conteúdo do documento, que pode ter sido destruído pelas chamas.

As crianças mortas são Ana Clara Ferreira Silva, Luiz Davi Carlos Rodrigues, Juan Pablo Cruz dos Santos, Juan Miguel Soares Silva, Renan Nicolas Santos, todos de quatro anos. Na manhã desta sexta feira duas das vítimas foram enterradas no cemitério São Lucas, de Janaúba.

Mobilização na cidade

Desde a manhã de quinta-feira a prefeitura de Janaúba pediu doações de insumos hospitalares como anti bióticos, soros e gaze para reforçar os estoques do Hospital Regional da cidade. Além disso foi criada uma conta corrente para receber doações em dinheiro. Ônibus municipais foram disponibilizados para levar doadores de sangue até a vizinha Montes Claros, onde fica o hemocentro mais próximo. O Governo estadual disponibilizou aeronaves e ambulâncias para transportar os feridos mais graves para hospitais de referência no tratamento de queimados.

O governador do Estado, Fernando Pimentel (PT), esteve na cidade na tarde de ontem, e se encontrou com familiares das vítimas.

Fonte: El País

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