FEBRE AMARELA JÁ MATOU 14 PESSOAS EM MINAS GERAIS ESTE ANO

Quatorze de 23 pessoas morreram vítima da febre amarela em Minas Gerais, desde início de 2017, informou esta semana o canal de notícias G1.

Há outros registros pelo país. “Já esperávamos um surto maior da febre amarela silvestre, mas devemos nos preocupar, sim. Estamos sentados em uma bomba-relógio”, disse o epidemiologista Eduardo Massad, da USP, à BBC Brasil. Especialistas acreditam que o vírus possa se espalhar entre a população brasileira pelo Aedes aegypti, também transmissor da dengue e da zika.

“A febre amarela é considerada endêmica nas regiões rurais e de mata do Brasil, onde é transmitida por mosquitos de espécies diferentes, como o Haemagogus e o Sabethes, para macacos e, ocasionalmente, para humanos não vacinados. Mas não há registro de casos em áreas urbanas – onde o vetor é o mosquito Aedes aegypti – desde 1942”, informou o G1.

“O Ministério da Saúde notificou a OMS (Organização Mundial da Saúde) dos casos, seguindo recomendação do Regulamento Sanitário Internacional de informar à organização ocorrências importantes de saúde pública”. No ano passado, o Brsil teve seis casos da doença confirmados, segundo o governo. O último surto da febre amarela silvestre ocorreu entre 2008 e 2009, com 51 casos confirmadas.

“Na fase inicial (de três a cinco dias), a febre amarela causa calafrios, febre, dores de cabeça e no corpo, cansaço, perda de apetite, náuseas e vômitos”, disse a reportagem do G1.” Em sua fase mais grave, provoca hemorragias e insuficiência nos rins e no fígado, o que pode levar à morte”.

Segundo a bióloga Marcia Chame, coordenadora da Plataforma Institucional de Biodiversidade e Saúde Silvestre na Fiocruz Rio, “o aumento das mortes de macacos, principais hospedeiros do vírus no ciclo de transmissão silvestre, é o principal indicativo de que o surto pode estar se aproximando das populações humanas.

Desde 1940 não temos ciclos, no Brasil, de transmissão deste vírus pelo Aedes aegypti, só pelo Haemagogus. A morte de macacos perto de pessoas mostra que um ciclo que deveria estar limitado ao ambiente das matas está mais perto das áreas onde vivem humanos. E quando eles estão próximos, é mais fácil para o mosquito passar o vírus para uma pessoa”.

O receio, prossegue a bióloga, “é que com a diminuição das áreas florestais, animais que foram infectados frequentem cada vez mais os centros urbanos em busca de alimento e abrigo. Lá, eles também poderiam ser picados pelo Aedes aegypti, abundante nas cidades brasileiras”.

O Ministério da Saúde recomenda que “todas as pessoas que moram ou têm viagem planejada para áreas silvestres, rurais ou de mata verifiquem se estão vacinadas contra a febre amarela. Em geral, a vacina passa a fazer efeito após um período de dez dias”.

O Ministério recomenda a vacina “para pessoas a partir de nove meses de idade que vivem nas áreas endêmicas ou viajarão para lá e a partir dos seis meses, em situações de surto. Segundo a pasta, todos os Estados estão abastecidos com a vacina e o país tem estoque suficiente para atender a todas as pessoas nestas condições”. Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro estão fora da Área com Recomendação para Vacinação (ACRV) de febre amarela.

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