Escolas de Gaspar e Ilhota recebem ameaças de ataques

A manhã desta segunda-feira (25) foi tumultuada nas escolas de Ilhota. Tudo por conta de uma suposta ameaça de atentado, divulgada em um grupo de whatsapp, na última sexta-feira (22). A notícia se espalhou rapidamente nas redes sociais deixando pais, alunos, professores, autoridades municipais e policiais apreensivos. A segurança foi reforçada na porta das escolas. A Polícia Civil foi acionada para investigar o caso, depois que a Secretaria de Educação do município registrou um Boletim de Ocorrência (B.O). Uma das escolas alvo seria a José Elias, no bairro Minas, cujo próprios alunos alertaram a direção da escola das ameaças. Nas mensagens postadas no grupo de whatsapp, o suspeito chega a questionar os estudantes se eles preferem morrer com tiro, serem explodidos ou queimados.

Por precaução, as aulas na José Elias foram suspensas nesta segunda-feira, mas o próprio prefeito, Érico de Oliveira, o Dida, confirmou que elas serão retomadas normalmente na terça-feira (26). Nas outras duas escolas, as aulas transcorreram normalmente, embora muitos pais tenham ido até as instituições de ensino em busca de informação sobre seus filhos.

Logo pela manhã, Dida esteve na José Elias para conversar com os pais, que, durante todo o fim de semana, via redes sociais, cobraram explicações e providências da administração municipal. O prefeito chegou a escrever uma mensagem na sua rede social, afirmando que faria tudo que estava ao seu alcance para proteger os estudantes. “Quero deixar claro que sabíamos e fizemos o que estava ao nosso alcance, quanto a este caso”. Ao mesmo tempo, Dida aproveitou para pedir às pessoas que não usem esse fato para o que ele chamou de “politicagem barata”. “Respeitem nossos municípes, pais, mães e filhos…”, desabafou o chefe do executivo ilhotense. O prefeito também prometeu fazer um levantamento nas escolas de Ilhota na tentativa de identificar crianças com potencial para cometer este tipo de ato. “Começaremos na segunda-feira uma blitz nas escolas do nosso município para tentar identificar crianças em potencial a tal ato, para junto à Secretaria de Assistência Social, junto com o Conselho Tutelar, psicólogas e assistentes sociais e todo o aparto que dispõe nosso município monitorar crianças que se encontram isoladas das demais e que sofrem bullying, para então dar suporte às famílias, que é a única coisa que podemos fazer”, afirmou.

Policia esteve na escola na manhã desta segunda-feira (25) / Kássia Dalmagro/Jornal Metas/

Participaram da reunião desta segunda-feira representantes do Conselho Tutelar e das polícias Civil e Militar. “Tudo começou neste grupo de whatsapp, que foi formado por alguns alunos nas férias, para eles se comunicarem durante o recesso. Um adolescente começou a postar fotos e ameaças; alguns alunos ao lerem as mensagens informaram a diretora”, contou o prefeito em entrevista exclusiva ao Jornal Metas. Ele ressalta que a Polícia Civil, assim como o Conselho Tutelar, foram imediatamente acionados. “O adolescente disse que foi uma brincadeira de mau gosto, mesmo assim, a partir de amanhã um policial ficará na entrada da escola até que todos os fatos sejam apurados. Pode realmente ser apenas uma brincadeira, como pode não ser. Isto quem vai decidir é a investigação da polícia”, reiteirou Dida.

O comandante da Polícia Militar de Gaspar, major Pedro Carlos Machado Júnior, disse que os policiais estiveram nas escolas do município durante a manhã. “A Polícia Civil está investigando o caso para identificar o autor ou autores das ameaças. Acreditamos que seja mesmo um trote ou brincadeira, mas por precaução estamos reforçando a segurança. Peço que as pessoas tenham calma, não é necessário se desesperar”, acentuou o policial.

O prefeito Dida (centro) diante de pais apreensivos na José Elias, em Ilhota / FOTO IVAN JIM

O delegado da Polícia Civil da Comarca de Gaspar, Bruno Effori, explica que já foi instaurado inquérito para apurar as circunstâncias do suposto plano de ataque em escolas da região, especificamente em Gaspar e Ilhota. “Até o presente momento, são quatro colégios com suspeita de ataque e os diretores destes educandários vão prestar depoimento e auxiliar nas investigações”, afirma. De acordo com o delegado, as investigações estão avançadas e dois adolescentes de Gaspar já foram identificados e estariam trocando mensagens com esta intenção. “Eles já foram intimidados a comparecer na delegacia”, garante o policial. A investigação, conforme explica Effori, segue duas frentes: uma com o intuito de prevenção e a outra de repressão, para responsabilizar os envolvidos. “Nosso trabalho é identificar e tentar coibir o crime antes que ele ocorra”, afirma. O delegado pede que os pais fiquem alertas e que procurem prestar atenção nos pertences dos filhos. “Esse tipo de postura de ataque requer o uso de armas, objetivos pontiagudos, máscaras, roupas de cor preta e luvas. Importante ressaltar que a investigação não deve ser motivo de alarde. Os alunos devem continuar frequentando as aulas normalmente”, reforçou Effori.

Pais apreensivos

Josiane Pereira, mãe de uma aluna do 7º ano da Escola José Elias, disse que soube do fato na noite de sexta-feira (22), pelas redes sociais. “Minha primeira providência foi chamar minha filha e conversar com ela, para que não entrasse em pânico. Dez minutos depois, as ameaças já estavam em vários grupos de whatspp”, relata. A mãe entende que o desespero poderia ter sido evitado se a escola tivesse falado antes com os pais. “As crianças estão muito assustadas. Mesmo que seja comprovado que foi um trote, quem fez isso precisa arcar com as consequências. Precisamos resolver a situação antes que aconteça uma tragédia. Depois não adianta chorar sobre os corpos das crianças”, cobra. Para Josiane, a solução não está apenas nas mãos das autoridades. “Todos precisam se unir. A violência existe e está muito presente nas redes sociais. Por isso, os pais precisam acompanhar o que os filhos estão vendo ou falando no celular, para evitar situações como essa que estamos vivendo hoje em Ilhota. Os adolescentes não têm mais limites, fazem o que querem”, alerta a mãe.

Quem também estava angustiada era Maria Francisca Brokveld Nunes. Mãe de uma adolescente de 13 anos, ela admite ter ficado muito preocupada em deixar a filha ir à Escola Marcos Konder, no Centro de Ilhota, na manhã desta segunda-feira. “Fiquei com o coração na mão. Vai que esta pessoa decide mudar o alvo, não sei o que passa pela cabeça dela”, desabafa. Pouco antes das 9h, ela voi até a escola verificar como estava a situação e garantir que a filha estava em segurança. “É um horror essa situação, né? Muito angustiante”, desabafa.

Muitos pais foram até as escolas em busca informação / FOTO IVAN JIM

Jornal Metas

Deixe sua opinião