Entrevista Exclusiva com Saulo Adami

Celso Bonatelli – “Foi um privilégio escrever sua biografia”, diz o autor

 

José Celso Bonatelli nasceu em Bariri, São Paulo, em 1937, se formou em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e chegou em Brusque no início da década de 1970. Nesta cidade, se casou com Elisabeth e teve três filhas: Perla, Ana Paula e Gabriela. Sua carreira política teve início em 1976, tendo sido vereador, prefeito, deputado estadual e vice-prefeito, quando morreu no exercício do cargo, em 1999.

Foram muitas as conquistas e legados deixados aos brusquenses por Bonatelli: a contribuição para o projeto de uso e manejo da bacia hidrográfica do rio Itajaí-mirim, que mais tarde culminou com a construção da avenida Beira-Rio, além de ter sido entusiasta da Festa Nacional do Marreco, a Fenarreco.

Nesta entrevista concedida com exclusividade, o escritor Saulo Adami – brusquense radicado em Curitiba, onde é membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná – fala sobre seu contato com o biografado e a produção do livro Celso Bonatelli: “Valeu a pena lutar!” (São José dos Pinhais: Página 42, 2018), lançado na noite de quarta-feira, 1 de agosto, no auditório do Bloco C da Unifebe, campus Santa Terezinha. A renda com a venda do livro no seu lançamento foi revertida à Rede Feminina de Combate ao Câncer de Brusque.

A produção do livro foi encomendada por Elisabeth Bonatelli no final de 2013. No início do ano seguinte, tiveram início as pesquisas e entrevistas com mais de 40 pessoas e colaboradores eventuais.

Escrever uma obra como esta exigiu quanto tempo?

A partir do convite de dona Elisabeth Bonatelli, no final de 2013, estabeleci uma projeção do livro: temas a abordar, listagem dos possíveis entrevistados, acervos a consultar… Iniciei o trabalho que durou cerca de 13 meses, desde a pesquisa das fontes de informação até as entrevistas. Foram mais de 40 entrevistados ao longo deste período, alguns deles responderam via internet. Ao final de fevereiro de 2015, a redação estava concluída e teve início o processo mais longo, que é o das revisões. Foram várias revisões, todas acompanhadas pela família Bonatelli e por alguns colaboradores convidados. Até que ao final de 2017 concluímos estas etapas e o livro foi encaminhado à editora Página 42, em São José dos Pinhais, Paraná. Foi o editor Marcelo Amado quem cuidou dos demais passos da produção do livro: projeto gráfico, criação de capa e, finalmente, a impressão da obra.

Das biografias que você escreveu, esta foi a mais elaborada?

Sim. Até porque tive mais tempo para detalhar a vida do biografado. Não havia uma data pré-determinada para lançamento do livro, embora pudéssemos ter optado por fazer em um determinado 18 de outubro, dia do médico. A decisão da família Bonatelli em fazer estas várias revisões foi acertada, assim tivemos tempo para amadurecer as ideias, polir o texto final, até a conclusão do projeto. Considero este um dos livros biográficos mais densos de minha carreira, e dentre todos eles é sem dúvida o mais completo.

Ter conhecido Celso Bonatelli foi um fator facilitador para o seu trabalho?

Foi, por várias razões. A principal delas é que quando se convive com o biografado se ter uma visão mais ampla do seu comportamento, da sua postura, do modo como ele fala, pensa, age e reage. Eu me sinto privilegiado por ter sido escolhido para a tarefa de biografar Celso Bonatelli por três motivos principais. Primeiro: eu o conheci em 1987, e foi por indicação dele que tive a oportunidade de trabalhar como repórter da sucursal de Brusque do Jornal de Santa Catarina. Segundo: fiz parte da equipe de colaboradores durante o último ano de sua administração como prefeito (1988), quando fui contratado para trabalhar junto a Associação Artístico-Cultural de Brusque – ASSAC. A administração Celso Bonatelli / Zeno Heinig foi a que mais investiu no setor cultural, segundo meus conhecimentos: a comunidade tinha em média de quatro a oito eventos mensais, de março a dezembro de cada ano, com atrações locais, regionais, nacionais e internacionais. Terceiro: fiz parte da assessoria de comunicação social da campanha de Hylário Zen a prefeito e Celso Bonatelli a vice-prefeito, em 1996. Foi uma das campanhas mais impressionantes da história de Brusque do século XX, quando nossos assessorados começaram sua jornada com pouco mais de 3% da intenção de votos, e venceram a corrida eleitoral por 179 votos de diferença.

Qual a origem do subtítulo do livro?

Estas foram as suas últimas palavras em vida, ditas ao amigo Ivo Barni, enquanto estava hospitalizado em Azambuja, paciente terminal de câncer. “Valeu a pena lutar!”, concluiu Bonatelli. Eram 19h30min de 9 de agosto de 1999. Ele morreu à 1h20min do dia seguinte.

Como era a Brusque dos tempos em que Bonatelli iniciou sua carreira política?

Escrever sobre a vida e o legado de Bonatelli foi como fazer uma grande viagem de volta ao passado político, social e cultural de Santa Catarina. Brusque era uma cidade onde todo mundo conhecida todo mundo pelo nome e sobrenome, pelas preferências religiosa, esportiva e político-partidária. Um tempo que não volta mais, assim como os personagens que nos deixaram e nos inspiraram a fazer estas pequena grande viagem às origens desta história – que é a nossa, também! Em Brusque, partidos políticos e suas ideologias realizam a dança das cadeira há mais de século nos poderes Executivo e Legislativo. Movimentam candidatos e militâncias. Desde os tempos coloniais, paixão e engajamento estimularam ou inibiram acordos e conchavos, fortaleceram ou desestruturaram partidos ou coligações. Imortalizaram ou massacraram personalidades, enriqueceram ou empobreceram famílias. Empresas e instituições foram alçadas ao sucesso ou à bancarrota. Sua história política continua sendo um campo aberto à pesquisa.

 

Deixe sua opinião