E o Henrique Meirelles?- Por Gabriel Wilhelms

Dentre os nomes cotados para a disputa presidencial no ano que vem passou a figurar há pouco tempo o nome do atual ministro da Fazenda Henrique Meirelles. Meirelles admite estar considerando a hipótese, que será decisão pessoal, mas provavelmente não saberemos com certeza antes de Março.

Na quinta-feira (dia 21) foi ao ar uma propaganda do PSD, partido do qual Meirelles é filiado, protagonizada pelo ministro em pessoa. Durante a propaganda de 10 minutos de duração, Meirelles fez um apanhado do que foi e está sendo feito, em especial no que tange à economia, pelo governo Temer, fez uma enfática defesa das reformas, aí incluída a reforma da previdência cuja votação ficou para Fevereiro, além de destacar números importantes que sinalizam uma inquestionável melhora da economia. Além disso, há uma biografia resumida da carreira de Meirelles, que inclui, por exemplo, o fato de ter sido o primeiro brasileiro a ser presidente mundial de um banco americano (Bank of Boston) e ter sido presidente do Banco Central- cargo que ocupou durante os oito anos do governo Lula.

 O nome do ministro não surge na roda atoa, vem na esteira da preocupação que o atual ritmo reformista e de melhora da economia tenha continuidade. Meirelles também conta com a vantagem- que diante do cenário atual de rejeição a classe política é uma vantagem- de não ser um político propriamente dito, ele chegou a ser eleito deputado federal por Goiás em 2002, mas renunciou ao mandato para poder assumir o Banco Central. Seu destaque e sucesso se devem a sua atuação no mercado financeiro, bem como sua atuação em cargos públicos relacionadas à economia, tal como seu atual posto de ministro da Fazenda. Sendo assim, Meirelles, muito embora não sendo tradicionalmente político, é alguém visivelmente bem relacionado com a classe política, com bom trânsito, e que creio, seria capaz de costurar uma grande aliança com o centro, incluindo aí o próprio PMDB, isto é, se esse partido não quiser lançar seu próprio candidato. Temer recentemente também admitiu a possibilidade de concorrer à reeleição, possibilidade que havia negado até então.

 Creio ser pouco provável vermos uma disputa entre Temer e Henrique Meirelles, e sinceramente torço por uma aliança em torno dessa pauta reformista. Essa agenda poderia ser quem sabe, uma alternativa para aqueles que estão insatisfeitos com certos radicalismos, vindos da esquerda e da direita, que se anunciam para 2018.

 Não estou é claro fazendo campanha para ninguém, mas dentro do que está posto para o cenário eleitoral do ano que vem está faltando alguém com uma pauta voltada para resolver um de nossos maiores problemas que é o fiscal, que está diretamente relacionado com a dívida pública. Como já disse, as reformas têm sido importantes, mas lamentavelmente foram feitas em resposta à maior recessão da história do país, foram feitas diante da necessidade, e tão somente por isso encontraram apoio do Congresso. Não adiantará de nada, se diante da recuperação repetirmos os mesmos erros que nos levaram à conjuntura atual. Há muitas reformas ainda por serem feitas, e que não podem esperar um momento de crise para tal. O futuro do país deve ser construído com responsabilidade, do contrário, corremos o risco de crescermos satisfatoriamente por um tempo, para posteriormente vermos novamente e literalmente nossa economia encolher, como se para darmos um passo à frente, tivéssemos que dar outros tantos para trás.

 

Gabriel Wilhelms

 

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