Dia do Goleiro

No dia 14 de abril de 1975, comemorou-se na Escola de Educação Física do Exército, no Rio de Janeiro, o primeiro Dia do Goleiro.

O encontro, promovido pelo professor Raul Carlesso, reuniu goleiros do passado e em atividade, e de escolinhas de vários clubes cariocas.

Foi emocionante ver Marcos Carneiro de Mendonça dando uma aula para os presentes. Ele foi considerado o melhor arqueiro amador de todos os tempos. Dizem que tinha uma apurada técnica, e não se arrojava nos pés dos atacantes, como a maioria faz, porque a sua colocação debaixo das traves era suficiente para deter os chutes adversários.

Foram exibidos slides mostrando o goleiro Andrada em ação, oportunidade em que Carlesso destacou, principalmente, a agilidade do argentino, que tinha o apelido apropriado de El Gato.

Barbosa ainda se apresentava inteiraço, fininho. De brincadeira, perguntamos por que ele havia parado de jogar. Osvaldo Baliza, elegante, de terno e gravata. Luiz Borracha, o único entre os aposentados, já totalmente fora de forma.

Na época, eu jogava no Bonsucesso, que fazia bonito no campeonato carioca.

O que pouca gente sabe é que a mudança radical nos métodos de treinamento de goleiros surgiu em 1969, quando Carlos Alberto Parreira assumiu a preparação física do Vasco da Gama. Era ele quem orientava e ministrava os treinos dos goleiros. Pedro Paulo e eu fomos surpreendidos com exercícios inusitados, que fugiam completamente da mesmice de até então, quando os treinos se resumiam a exaustivas sessões de cai-cai, chutes a gol e cruzamentos.

Parreira, que havia realizado clínica na Europa, onde teve oportunidade de ver em ação goleiros como o inglês Peter Shilton e o alemão Sepp Mayer, trouxe para o Brasil estas inovações, que posteriormente enriqueceu ao adicionar ao seu trabalho elementos técnicos e teóricos da escola sul-americana, trazidos ao Vasco pelo Andrada.

A partir de então, os fundamentos foram revistos, com a aplicação de treinamentos específicos que corrigiam desde a abertura das pernas e as mãos em relação à bola até a saída do gol e a reposição de bola.

Admildo Chirol e Carlesso, membros da comissão técnica da Seleção Brasileira em 1970, da qual também faziam parte Camerindo, Coutinho, Lídio Toledo, o técnico Zagalo e o próprio Parreira, aplicaram estes novos conceitos de aprimoramento técnico aos goleiros da equipe canarinho, passando a ser seus grandes divulgadores.

Desde então, a figura do “treinador de goleiros quebra galho” dos clubes passou a ser substituída por profissionais aplicados e estudiosos que acompanham a formação de goleiros desde as equipes de base.

Passar uma bola com os pés (como Rogério Ceni), fazer uma defesa de mão trocada, sair jogando como um zagueiro. Estes especialistas estão aí para ensinar. Nos jogos – fazem o scout – observam e anotam todas as particularidades da atuação do seu goleiro para corrigi-lo, se necessário, durante a semana.

Com as mudanças nas regras do futebol, o goleiro passou a ser muito mais exigido em seus atributos básicos, necessitando saber jogar tanto com as mãos quanto com os pés.

Foi-se o tempo em que era apenas o cara que não sabia jogar na linha e acabava no gol por falta de opção.

A partir de 1976, o Dia do Goleiro passou a ser comemorado no dia 26 de abril, aniversário do extraordinário goleiro Manga.

No Estádio São Januário, em 1966, quando usava a camisa 1 do Clube de Regatas Vasco da Gama. Fotografia do acervo de Valdir Appel

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