Decifrando o Economês : “As Redes Sociais e seus lucros”

Garanto que cada um de nós que tem uma conta no Facebook, já recebeu um pedido para repassar alguma postagem, dizendo que seu chegar a “tantas curtidas ou compartilhamentos”, o Facebook irá repassar uma certa quantia a alguém. Algo que lembra uma corrente. Mas precisamos entender que o Facebook, dessa maneira, não repassa nada a ninguém. Portanto, somos enganados.

O Facebook é uma empresa. E como qualquer empresa precisa vender seu produto para obter o lucro. A maior especialidade do Facebook não é a propaganda de si mesmo, mas inserir anúncios de empresas interessadas em exibir sua marca na rede social, que já é líder de mercado em quase todos os países do globo, quando o assunto é site de relacionamentos.

O começo das campanhas no Facebook foi essencialmente com anúncios de empresas e iniciativas de pequeno porte, mas agora elas representam apenas 60% desses espaços no site e tendem a perder ainda mais espaço para grandes marcas. Com o tempo, outras formas de lucrar foram surgindo, tão eficientes quanto a publicidade.

O Facebook divulgou em fevereiro desse ano, seus resultados financeiros do ano de 2016, quando atingiu receita recorde de US$ 26,8 bilhões. O valor é 57% maior que o obtido em 2015. O lucro líquido se multiplicou: aumentou 177%, para US$ 10,2 bilhões. A empresa se beneficia cada vez mais da migração dos usuários de computador para o smartphone, e vem colhendo bons frutos da publicidade no celular. O faturamento com a publicidade móvel representou 84% dos ganhos da companhia – era 80% um ano antes. A rede social terminou dezembro com 1,23 bilhão de usuários ativos diariamente, um crescimento de 18%. Os usuários móveis são 1,15 bilhão, aumento de 23% sobre 2015.

Já o WhatsApp, fundado em 2009 por Brian Action, que inicialmente, em alguns países custava US$ 1 para instalar o aplicativo. Em outros, se cobrava US$ 1 por ano em forma de “assinatura”. Já para outros, nunca houve qualquer custo, como é o caso no Brasil. Hoje o aplicativo pertence ao Facebook Que em 2014, pagou US$ 19 bilhões.

Então, como o WhatsApp lucra?

O Facebook anunciou que nos primeiros 9 meses que teve controle do WhatsApp em 2014, o aplicativo gerou US$ 1.289.000 em receita. Esse valor, contudo, é insignificante para uma empresa tão grande.Esse milhão foi gerado a partir do preço de instalação e assinatura de U$ 1. Então como o WhatsApp lucra, sendo que não há mais esses custos nem propagandas?

A resposta curta é: o WhatsApp não gera lucros. Mas então por que o Facebook gastou US$ 19 bilhões para comprar o aplicativo? A compra do WhatsApp era óbvia especialmente por um motivo: é o único aplicativo em que os usuários passam mais tempo por dia do que o próprio Facebook.

O WhatsApp é utilizado por cerca de 1 bilhão de pessoas pelo mundo todo. Eles enviam mais de 30 bilhões de mensagens todos os dias. Junte isso ao fato de que o aplicativo tem acesso a localização do usuário, seus contatos e diversas outras informações pessoais e esse é o interesse do Facebook.

Outra forma de lucro, são parcerias entre o WhatsApp e operadoras como a Reliance Communications, que atua na Índia, e a Globe Telecom, das Filipinas. Em ambos os casos, o WhatsApp entra como parte integrante de um plano convencional de telefonia e internet móvel e SMS.

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Professor Arilson Fagundes

Economista e Matemático

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