Decifrando o Economês…

No “Decifrando o Economês…” dessa semana, tentarei decifrar um assunto considerado, polêmico, temido e desafiador para os Economistas: A Inflação, que é um dos fenômenos econômicos mais perversos, porque subtrai parte das rendas das pessoas, principalmente das que recebem renda fixa, e dos mais pobres, que não conseguem se resguardar de seus efeitos, nem mesmo parcialmente. A inflação pode ser definida como um processo de alta contínua e generalizada de preços, que provoca uma redução no poder de compra interno do dinheiro. Ao contrário de um aumento de uma vez por todas nos preços, a Inflação lida com o aumento nos preços médios e não apenas com o aumento de alguns poucos preços na Economia. As principais distorções provocadas por altas taxas de Inflação são: •Trabalhadores que veem os seus salários perderem o poder aquisitivo, ou seja, o poder de comprar aquilo que comparava com o mesmo valor; •Pessoas que vivem de aluguéis e que os mesmos são reajustados de acordo com a inflação; •Pessoas que não têm acesso a aplicações financeiras, principalmente aquelas que procuram corrigir monetariamente, a perda financeira do dinheiro; •Elevadas taxas de inflação, em níveis superiores ao aumento dos preços internacionais encarecem o produto nacional relativamente ao produzido externamente; •Estimulam a importação (compra de produtos de fora) e desestimulam a exportação (venda de nossos produtos ao exterior). Todos esses elementos tornam um desequilíbrio sobre a Balança de Pagamentos (registra o total de dinheiro que entra e sai de um país, na forma de importações e exportações de produtos, serviços, capital financeiro, bem como transferências comerciais). Para consertar o governo lança mão de desvalorizações cambiais. No entanto, importações essenciais como petróleo, fertilizantes e equipamentos tornam-se mais caros e esses custos são repassados aos preços realimentado a inflação.

Para consertar o governo lança mão de desvalorizações cambiais, ou seja, desvaloriza as moedas estrangeiras, através da taxa de câmbio (assunto que será tratado na próxima edição da coluna), como o dólar, por exemplo, representando uma valorização do real com relação a essas moedas. Uma desvalorização cambial tende a desestimular as importações e estimular as exportações, pois no mercado interno encarece os bens importados e aumenta a renda dos exportadores. No entanto, importações essenciais como petróleo, fertilizantes e equipamentos tornam-se mais caros e esses custos são repassados aos preços realimentado a inflação. Uma das alternativas do Governo para diminuir a inflação é o aumento da taxa Selic – Sistema Especial de Liquidação e Custódia que é a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados para títulos federais. Para fins de cálculo da taxa, são considerados os financiamentos diários relativos às operações registradas e liquidadas no próprio Selic e em sistemas operados por câmaras ou prestadores de serviços de compensação e de liquidação. Se essa taxa é relativamente alta comparada a inflação, os aplicadores financeiros tendem a resguardar seus recursos aplicando em operações bancárias e papéis do Governo. Com isso reduz-se o excesso de dinheiro em circulação – que é uma das grandes causas da inflação, reduz-se o consumo e mantem-se a situação sob controle. Analogicamente falando, é dado um remédio amargo e intragável para se combater uma febre e não a doença.

Outra coisa que ouvimos muito falar é sobre a meta inflacionária, o teto máximo e o teto mínimo, que nada mais é, onde se deve chegar, e qual o mínimo e o máximo dos números inflacionários. Notem, falamos sobre números mínimos de inflação e não inflação zero ou negativa, pois ambas, se não forem bem estudadas, acabam atrapalhando o andamento Econômico do país. Você pode me perguntar, caro leitor: “Então não viveríamos bem com inflação zero?” Sim, viveríamos se e somente se, estivermos preparados para isso com uma economia estável e uma boa expectativa de crescimento futuro que, não foi, não é e, ainda não será a previsão dos próximos anos. O Brasil precisa aprender melhor a controlar a inflação. Tínhamos muito a conversar sobre inflação, porém, haverá outras oportunidades.

Até a próxima semana…

Professor Arilson Fagundes

Economista e Matemático

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