Crise na segurança pública preocupa deputados

A crise na segurança pública que solapou a ordem social no Espírito Santo repercutiu no retorno às atividades da Assembleia Legislativa catarinense. “Estamos vendo o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, não são fatos isolados, é um problema nacional e está mais perto de nós do que imaginamos”, declarou Maurício Eskudlark (PR), que já chefiou a polícia civil no estado. O deputado destacou a fuga de oito presos de alta periculosidade do presídio de Blumenau. “Uma unidade modelo, há muita fragilidade no sistema”.

No caso do Espírito Santo, Eskudlark observou que a ausência da polícia na rua provoca o caos. “Isso já aconteceu em outros estados”, ponderou o parlamentar, que cobrou valorização do policial e efetivo cumprimento da lei. “A polícia é a última barreira contra uma convulsão social da criminalidade, bandido não tem medo de juiz, de promotor, de sentença, ainda teme um pouco a polícia”, frisou.

Kennedy Nunes (PSD) também ressaltou a importância do policial para a manutenção da ordem. “A gente vê o estado do Espírito Santo e a importância que têm nossos policiais”, afirmou o representante de Joinville, que exibiu na tribuna um vídeo de uma perseguição policial em Blumenau que acabou na morte do meliante em fuga. “Não vale a pena correr da polícia, furou um sinal, bateu e morreu”, descreveu Kennedy, que pediu respeito à ordem policial.

Milton Hobus (PSD) criticou o avanço da criminalidade e responsabilizou o atual modelo político pelo desmantelamento da ordem pública. “A segurança pública e outras tantas deficiências que o modelo político foi destruindo ao longo do tempo, são favores e mau uso do dinheiro, por isso as instituições têm dificuldades para funcionar”.

Comissões temáticas
O presidente da Casa, Silvio Dreveck (PP), comunicou às lideranças partidárias que o prazo para indicação dos membros das comissões temáticas encerra em cinco sessões. Segundo Dreveck, as comissões compostas por nove membros (Comissão de Constituição e Justiça, de Finanças e Tributação e de Ética e Decoro Parlamentar) serão formadas por dois deputados do PMDB, dois do PSD, um do PT, dois do Bloco Parlamentar (PP/PR/PSB), um do PSDB e outro representante das menores bancadas (PCdoB, PSC e PDT).

No caso das outras 16 comissões que são compostas por sete membros, o PMDB indicará um parlamentar, o PSD dois, o PT um, o Bloco Parlamentar um, o PSDB um e as bancadas menores também um parlamentar.

Pouco tempo para o PMDB
Valdir Cobalchini (PMDB) cobrou do presidente da Casa um revisão dos horários destinados aos partidos políticos. “O PMDB não perdeu nenhum deputado, mas perdemos três minutos do nosso tempo, tínhamos 15, agora são 12 minutos”, reclamou Cobalchini, que lembrou o acordo que elegeu a atual Mesa. “O PMDB abriu mão da presidência da Comissão de Constituição e Justiça para o PSD e da Educação para o PT, quando se faz acordo, eu não sei em relação ao regimento, ele tem força de lei entre os deputados, então que não se altere aquilo que as urnas decidiram”, sugeriu.

Boa notícia
Natalino Lázare (PR) apresentou na tribuna boas notícias para a economia barriga-verde. Segundo o representante do Meio Oeste, apesar do cenário político conturbado e de um cenário econômico incerto, as exportações catarinenses cresceram no primeiro mês do ano.  “Foram 37% a mais que em janeiro de 2016, uma notícia alvissareira”, avaliou Natalino.

De acordo com o parlamentar, as exportações de carnes e derivados, madeira, fumo, soja e mel totalizaram R$ 270 milhões em janeiro. “Os principais centros de processamento estão no Oeste e no Meio Oeste”, explicou o deputado, referindo-se a Chapecó, Concórdia e Videira.

Além disso, Natalino ressaltou a produção de frutas, espacialmente a maçã. “A fruticultura está em franca expansão, estamos colhendo uma safra recorde, 30% maior”, garantiu Natalino, explicando em seguida que grande parte será exportado. “Será um incremento significativo, uma fonte alternativa de renda, temos vocação para isso, temos o hábito de produzir frutas”, lembrou.

Rios de esgoto
João Amin (PP) exibiu na tribuna imagens de uma enxurrada no rio Capivari, em Ingleses, norte da Ilha de Santa Catarina. “Uma corredeira de água suja desembocando no mar”, lamentou o deputado, que enumerou diversos rios da Grande Florianópolis que também sofreram com as enxurradas provocadas pelas chuvas de janeiro. “Todas as ações de cobrança de 2016 foram em vão, audiência pública, seminários, a vinda da Casan em novembro de 2016 na Assembleia para explicar os investimentos, mas a cobrança não vai parar”, disparou o representante de Florianópolis.

Valdir Cobalchini reconheceu os problemas, mas chamou a atenção para a força da enxurrada. “Foi uma enxurrada muito forte e com ela vieram problemas, problemas que se arrastam há muitos anos, mas tenho a informação de que ainda em fevereiro será lançada uma ordem de serviço de R$ 92 milhões que resolverá de forma definitiva o problema”, declarou o líder do PMDB.

Marisa Letícia
Ana Paula Lima (PT) criticou duramente a divulgação de exames da ex-primeira dama Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Foi uma barbaridade em publicar o diagnóstico e procedimentos que poderiam ocasionar a sua morte, como enfermeira de formação é muito doloroso ver alguém ser desumanizado. Talvez estes jovens médicos sejam somente vítimas, produtos de um sistema que banaliza o mal”, lamentou Ana Paula.

Deputada Ana Paula Lima (PT)

Luciane Carminatti (PT) concordou com a colega e manifestou sua indignação na tribuna. “Isso não educa, não produz respeito, espero que o Conselho Federal de Medicina casse o registro desses profissionais”, declarou Carminatti.

PSB crescendo
Cleiton Salvaro (PSB) falou sobre o crescimento do PSB após o pleito municipal de 2016. “Éramos 14 vereadores e dois prefeitos, agora são 95 vereadores, 10 vices e 10 prefeitos”, comemorou o parlamentar, que citou as administrações de Balneário Camboriú, Brusque, Chapecó e Rio Negrinho como os maiores desafios do partido. “O PSB é um porto seguro para mudanças”.

Reforma da previdência
Luciane Carminatti comemorou a aprovação de moção de sua autoria que pede o arquivamento da PEC 287, que tramita em Brasília. “A previdência tem receitas que o governo não contabiliza, como contribuição social sobre o lucro líquido, o PIS/Pasep e as receitas da loteria, e ao mesmo tempo o governo superestima os gastos para passar a imagem de uma previdência quebrada, mas essa tese de que está quebrada é uma mentira para favorecer os grandes grupos privados”, denunciou a representante de Chapecó.

Aurora
Altair Silva (PP) elogiou na tribuna o desempenho econômico da Cooperativa Aurora. “É a terceira maior empresa do agronegócio, nasceu em Chapecó, é uma  cooperativa com receita anual R$ 8,5 bilhões”, informou Altair, que creditou o desempenho ao incremento de 1% na venda de suínos e de 5,6% de aves. “É uma empresa genuinamente catarinense, 76% da produção fica no mercado interno e 24% vai para as exportações”.

Cumprimentos à Mesa
Os deputados Serafim Venzon (PSDB) e Nilson Gonçalves (sem partido) elogiaram a composição da Mesa que presidirá os trabalhos da Assembleia Legislativa em 2017 e 2018. “É o meu primeiro dia, estou feliz por voltar à Casa”, afirmou Gonçalves, que parabenizou os deputados Silvio Dreveck e Aldo Schneider, respectivamente presidente e vice do Legislativo catarinense.

Dom Hélder Câmara
Cesar Valduga (PCdoB) lembrou na tribuna o papel na resistência à ditadura desempenhado pelo arcebispo de Olinda, dom Helder Câmara, conhecido pela alcunha de “arcebispo vermelho”. Valduga contou uma história que demonstra a audácia do frade. Ele ligou para um delegado de polícia pedindo informações sobre um “irmão” que estava preso. Questionado pelo delegado, respondeu: “Somos filhos do mesmo pai”, conseguindo assim a liberação do preso político.

Deputado Altair Silva (PP)

Kennedy Nunes (PSD)

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