Corpo de adolescente desaparecida é encontrado no Pico da Pedra, em Camboriú

Após quase sete meses do desaparecimento, o corpo da vítima estava em estado avançado de decomposição e a equipe do IGP teve bastante dificuldade em resgatar a ossada

“Aqui não tem sinal de internet ou de telefone, é mata fechada. O terreno é íngreme e está liso. O lugar que ele ocultou o corpo era para não ser encontrado mesmo”, afirmou o delegado.

O corpo da adolescente Miriam Vanessa da Silva, 15, foi encontrado na noite da última sexta-feira (3) em uma trilha secundária no início da subida do Pico da Pedra, no bairro Rio Pequeno. As buscas iniciaram no meio da tarde, após o principal suspeito do crime, José Augusto Correa, 21 anos, assumir a autoria e indicar o local onde Miriam fora deixada.

Após quase sete meses do desaparecimento, o corpo da vítima estava em estado avançado de decomposição e a equipe do Instituto Geral de Perícias (IGP) teve bastante dificuldade em resgatar a ossada. De acordo com o delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Balneário, Osnei Valdir de Oliveira, o acesso era íngreme, em mata fechada e cerca de 200 metros acima de uma cachoeira.

A equipe chegou a cogitar chamar os Bombeiros para auxiliar na retirada, devido à dificuldade de acesso ao local. “Não tem como chegar lá sem se machucar”, comentou um dos integrantes do IGP.

“Aqui não tem sinal de internet ou de telefone, é mata fechada. O terreno é íngreme e está liso. O lugar que ele ocultou o corpo era para não ser encontrado mesmo”, afirmou o delegado à reportagem do Linha Popular.

Em pouco tempo, moradores do entorno se aglomeraram no local para saber o que ocorria. Um deles chegou a questionar se o crime havia acontecido hoje. “Isso não foi hoje né? Sério? Sete meses? Todo domingo isso aqui está cheio de gente e ninguém viu. Ali onde eles estão tem a cachoeira, está sempre cheio”, comentou o morador.

Conforme informações do IGP o corpo deve demorar a ser liberado para o enterro, uma vez que pelo estado avançado de decomposição será preciso realizar exame de DNA para confirmar se o corpo é realmente de Miriam, além do tempo necessário para perícia a fim de averiguar a causa da morte.

Ainda nesta noite, a família de Miriam deve ir à DIC para registrar o Boletim de Ocorrência pelo homicídio. Após o resgate, o autor que estava presente no local foi encaminhado à DIC para prestar esclarecimentos sobre como ocorreu o crime.

Homicídio não foi planejado, defende advogado

O advogado de defesa, Michel S. de Souza, conversou exclusivamente com a reportagem do Linha Popular durante o resgate do corpo de Miriam. O mesmo afirma que homicídio não foi planejado e só ocorreu após uma discussão entre seu cliente, José Augusto Correa, 21, e a vítima, Miriam Vanessa da Silva, 15.

“Ali houve uma discussão. Ele não teve o intuito de esconder o cadáver. Se fosse ele não teria escolhido esse lugar. Era um lugar frequentado pela família. Ele descobriu uma suposta traição. E eles pretendiam ter uma vida juntos”, contou Souza.

A versão de defesa alega que José Augusto e Miriam foram passear no local antes de partirem em viagem, mas que no calor da discussão ele teria a matado. Souza ainda ressalta que José Augusto está arrependido e resolveu colaborar com as investigações “para dar conforto à família e um enterro para Miriam”, além de livrar a esposa Carolaine de Moraes Alves, acusada de ser a mandante do crime.

“Ele estava incomodado com isso, foi um momento de desespero. Se declarou espontaneamente porque não aguentava mais ver a mulher presa. Esse foi um dos motivos para ele assumir. Ele se arrependeu pelo que fez e quis dar conforto à família. Ela [Carolaine] não foi a mandante. Não tinha qualquer poder sobre ele”, informa.

De acordo com o advogado, Carolaine e José Augusto já estavam separados antes do crime, após ela ter registrado um Boletim de Ocorrência contra ele. Mas, ressaltou que a maior preocupação de José Augusto é que Carolaine seja inocentada para que possa cuidar da filha do casal.

Souza diz não acreditar na versão de que Miriam era ameaçada por Carolaine e contesta que a vitima estivesse grávida na ocasião. “Ele não acreditava que Miriam estava grávida, pediu um exame para confirmar a gravidez, mas ela não quis fazer e desconversou”.

Como a morte teria corrido ainda não foi esclarecido, e nem o advogado de defesa quis comentar sobre. “Prefiro esperar, o José Augusto ainda será interrogado”, justificou.

Texto Schaline Rudnitzki/Linha Popular

Imagens

Foto: Adriano Assis/LP
“Aqui não tem sinal de internet ou de telefone, é mata fechada. O terreno é íngreme e está liso. O lugar que ele ocultou o corpo era para não ser encontrado mesmo”, afirmou o delegado à reportagem do Linha Popular

Deixe sua opinião