Ciro Roza, Tiago Maestri e Milton da Silva foram condenados por lavagem de dinheiro

Por desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro, três homens foram condenados à prisão pelo juiz Edemar Leopoldo Schlösser, quarta-feira (15). Os condenados são: o ex-prefeito Ciro Marcial Roza, de Brusque, e o empresário Tiago Maestri, de Nova Trento, a seis anos, dois meses e 20 dias de prisão “inicialmente em regime semi-aberto” por desvio de verbas e lavagem de dinheiro; e o ex-assessor de Roza, Milton da Silva, de Itapema, a três anos, seis meses e 20 dias de reclusão em regime aberto, pelo crime de lavagem de dinheiro.

Os crimes tiveram origem em agosto de 2007, segundo o promotor de justiça Daniel Westphal Taylor. A Prefeitura de Brusque “elaborou minuta de edital de licitação para a compra de 2 mil vigas de eucalipto” para utilização em diversas obras. Antes do lançamento do edital, o assessor jurídico do município, Anderson Petruschky, analisou a minuta e sugeriu sua não aprovação, “tendo em vista que o objeto não especifica em qual obra do Município serão utilizados os materiais, em consonância com orientações do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina”.

O prefeito ignorou o parecer de Petruschky e lançou o edital, que teve como único participante a empresa de Tiago Maestri, com proposta de R$ 645 mil. A comissão de licitação não assinou a ata, desaprovando a compra, mas o prefeito “homologou” a licitação e foi assinado contrato com o fornecedor. A mesma prática ocorreu em janeiro de 2008, contrariando o parecer do assessor jurídico do município, Fábio Caetano Pereira, e novamente contratando da empresa de Maestri outras 2 mil vigas de eucalipto por R$ 645 mil.

“É evidente o total desrespeito do ex-prefeito Ciro Marcial Roza para com as leis que regem a nossa República”, analisou o promotor. “O atropelo das leis pátrias foi realizado com um objetivo muito claro: desviar dinheiro público, sem descurar de, na sequência, lavá-lo, na expectativa de apagar os rastros que vinculavam essas verbas ao erário brusquense”. E complementou: “Essas 4 mil toras jamais foram entregues” e os documentos foram “ideologicamente falsificados para o fim de comprovar a liquidação da despesa”.

A promotoria inquiriu Konstantin Harsimow, que assinou as notas das entregas: 945 toras entre 10 de outubro e 27 de novembro de 2007. Ele disse trabalhar há 33 anos na prefeitura, supervisionando a construção de pontes de madeira, sendo que cada ponte consome de cinco a seis toras, e que o município tem “mais de mil e poucas pontes”. Que recebia a quantidade de toras de acordo com a necessidade de construção: “Mas, tudo isso, esse mundaréu de tora aí, não”, rebateu. E afirmou: “Não faz sentido, porque cada vez que eu fazia o pedido de toras, era na base de 15 a 25 toras, no máximo”.

Konstantin Harasimow disse que, em função de o secretário de Obras Roberto Bolognini “tava meio enguiçado com o prefeito”, o obrigou a assinar o recebimento das toras: “Ele disse que ele não assinava, que quem tinha que assinar era o pessoal que trabalhava nas pontes”. Ao promotor, Konstantin disse que na verdade não sabia o que estava assinando, que a prefeitura utilizava no máximo “800, 900 toras por ano” e que ele usava por mês uma média de “40 a 50 toras”.

“Não é preciso ir longe no raciocínio para concluir que Ciro Marcial Roza, usando de poder de coerção sobre seus funcionários, desviou dinheiro público em favor da empresa de Tiago Maestri”, analisou o promotor. “Tiago Maestri não participou do esquema de graça.

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