CIRO ROZA AFIRMA QUE VAI CONTINUAR OBRAS DA BEIRA RIO COM OU SEM AUTORIZAÇÃO

Por Saulo Adami

 

Chefe de gabinete da Prefeitura de Brusque, Ciro Marcial Roza defende com unhas e dentes a continuidade das obras que farão o prolongamento das avenidas Beira Rio, em ambas as margens do Itajaí-Mirim, até a divisa com o município de Itajaí. Para ele, tais obras são fundamentais. Disse que o governo que o sucedeu “fez outros projetos, sem conhecimento”. Deu a receita do sucesso de um administrador visionário: “Quando se faz uma obra, tem que ser bem feita”.

Roza foi enfático ao afirmar que “com autorização ou sem autorização”, com a ciência do prefeito Jonas Oscar Paegle e do vice-prefeito Ari Vequi, decidiu colocar as máquinas para trabalhar. Perguntado se as obras de continuação das avenidas Beira Rio têm projeto, o secretário de Comunicação Social da Prefeitura de Brusque, radialista Marcos Gelain, foi objetivo na resposta: “Sim. Projeto é o mesmo de sempre: canal extravasor”. Disse que havia orçamento para isso: “Horas-máquina do município”. E que quem estava executando as obras era uma “empresa que foi licitada pelo município” que tinha licença ambiental “para o tipo de serviço que está sendo executado: a limpeza do local”.

Ao longo de ambas as margens do rio é possível ver o rastro de destruição que a obra está deixando enquanto avança em direção à divisa com Itajaí. A terra nua revelou erosão, a ação das máquinas tombou árvores sobre o leito do rio. Esta semana, em parceria com a Joy Vídeo Produção, o EM FOCO captou com um drone as imagens que mostram a atuação das máquinas.

UM BREVE OLHAR PARA O PASSADO

Ao ver estas imagens, lembrei dos esforços das famílias de Ernesto Guilherme Hoffmann, o Willy, e de Wilson Moreli, para transformar a Fazenda Hoffmann na Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Chácara Edith. Uma portaria do Ministério do Meio Ambiente criou a RPPN em 24 de outubro de 2001, uma área de 415,79 hectares no centro de Brusque. Esta portaria conseguiu frear os planos da Prefeitura de Brusque em abrir uma estrada ligando a rodovia AntonioHeil ao bairro Poço Fundo, passando pelo interior da área da reserva.

A RPPN Chácara Edith abriga um remanescente valioso das florestas submontana e terras baixas da Floresta Ombrófila Densa ou Floresta Atlântica, que não existe mais em toda a parte do baixo e médio Vale do Itajaí. A Fazenda Hoffmann forma, com os arredores, um maciço florestal de cerca de 1,2 mil hectares. É importante abrigo de fauna silvestre raro de encontrar tão próximo de áreas urbanas, incluindo espécies ameaçadas de extinção.

A OPINIÃO DE AMBIENTALISTAS

Durante esta semana, o EM FOCO ouviu pessoas ligadas ao setor de preservação do meio ambiente, que lamentaram a iniciativa da administração municipal em retomar as obras de ambas as Beira Rio. “Sem o menor pudor arregaçou-se uma Área de Preservação Permanente (APP)”, lamentou Vanessa Constansa Setragni Becker, tecnóloga em Gestão Ambiental – MBA Políticas Públicas Municipais. Ela questionou a decisão da Prefeitura de Brusque, indagando se esta era a “única opção pelo bem social”, “quais eram as outras” e “pelo bem de quem” as máquinas entraram em cena.

“Se uma gestão não vislumbra além do econômico, o social e o ambiental, com ênfase no social, uma vez que os que mais sofrem com as consequências da degradação ambiental são os menos favorecidos, não pode ser de forma alguma uma gestão pública responsável”, destacou a tecnóloga.

“Meio ambiente somos todos nós”, lembrou o engenheiro ambiental Diego Furtado, membro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) de Brusque. “Assim sendo, como já se prevê na constituição federal brasileira, o meio ambiente é responsabilidade de todos e por isso devemos todos juntos fiscalizar e cobrar o respeito à legislação ambiental que serve para bem gerir nossos recursos e garantir que não somente as futuras gerações mas que inclusive nós ainda tenhamos acesso aos bens ambientais que estão cada vez mais escassos e degradados”.

UM DESABAFO NO FACEBOOK

Em seu perfil de Facebook, Sergio Roberto Duarte foi mais contundente. Afirmou que “Brusque virou terra sem lei”. Segundo Duarte, o Poder Judiciário “não existe, os nossos juízes são ou decorativos ou covardes – ou pior, corruptos – e foram comprados. A mesma coisa com o Ministério Público e os promotores de justiça, que podem servir para tudo, menos para fazer justiça. Existe ainda em Brusque um tal de Observatório Social, que observa apenas, mas nada faz. E finalizando, temos uma mídia, jornais (ressalvando o EM FOCO) e rádios, que servem apenas para falar mal do PT, para denunciar os absurdos de Ciro Roza e…C…, nada veem, nada falam, nada escrevem. Esta é nossa Brusque, terra da hipocrisia e de hipócritas”.

A ESPERA PELO ATENDIMENTO

Enquanto máquinas avançam sobre as terras que margeiam o rio, a comunidade ainda espera pela ajuda da Prefeitura de Brusque no atendimento às suas necessidades emergenciais após a enxurrada que atingiu cerca de 25 bairros, no dia 5 de janeiro. Assim como as máquinas que trabalham na beira do rio, a enxurrada deixou rastros de destruição e sujeira, muita sujeira. Choveu em poucas horas o que estava previsto para várias semanas.

Resultado: ruas, casas, estabelecimentos comerciais e industriais alagados. Lama e entulhos por toda parte remetiam a um cenário de guerra e destruição.Uma das comunidades mais afetadas foi Nova Brasília. A secretaria de Obras do município mobilizou 200 funcionários para auxiliar no atendimento à comunidade. O que deve ter sido insuficiente, pois algumas ruas, mesmo passados mais de oito dias, ainda não foram atendidas.

Moradores de algumas regiões afetadas pela enxurrada cancelaram ontem (13), depois de reunião na Prefeitura de Brusque, a manifestação programada para a manhã de hoje (14), na rodovia Antônio Heil. Moradores da rua João Heil decidiram esperar até a tarde de terça-feira (17) pelo atendimento às suas reivindicações: obras de contenção das cheias.

2 Comentários

  1. Uma correção: os arquitetos não fazem mais parte do CREA, logo, não é mais Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, como dito na reportagem.
    E como, com todas as leis, uma obra dessa ainda pode ser feita? Se é contra a lei construir ou fazer qualquer nas margens dos rios? Pela lei, não se poderia construir a rua a menos de 30 metros do rio, o que certamente não será respeitado.
    Mas um pouco disso também é culpa do brusquense, que votou num prefeito que não sabe nem falar e nem das dívidas que a prefeitura tem, como foi visto na entrevista que nosso querido prefeito fez ao canal RBS. Isso é culpa do povo, por colocar um político que não tem voz e além de tudo, é pau mandado de um político corrupto, que mesmo não podendo concorrer a prefeito, está lá na prefeitura para roubar o dinheiro que deveria ser investido!
    Vá investir no meio ambiente, na ampliação dá rede de drenagem e na criação de uma rede de esgoto, que serviria muito mais pra gente!

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