Ciro Gomes, o Bolsonaro da esquerda- Por Gabriel Wilhelms

Para Ciro Gomes, Fernando Holiday do MBL é um “capitãozinho do mato”. A frase na verdade, desconfio, poderia estar na boca de qualquer outro, o que importou mesmo para que houvesse o completo silêncio da esquerda e dos movimentos negros é que no geral, para estes, negro de direita não é digno de defesa.  

Ciro Gomes, talvez traumatizado pela constante lembrança de ter dito de que o papel da Patrícia Pillar era dormir com ele, certamente viu aí a oportunidade de se passar por descolado, de falar com ar paternalista que “a pior coisa é o negro que é usado pelo preconceito para estigmatizar”. Ciro, que começou a carreira no partido dos militares é da esquerda moderna, progressista, não estigmatiza ninguém, mas claro, não perde a oportunidade de engrossar quando ferem o seu ego.

Em evento promovido pela Associação Mineira de Municípios (AMM) no dia 19, Ciro, como de hábito, perdeu as estribeiras e abandonou o evento antes de encerrada sua participação. Ele teria se irritado com o formato do evento em que teria um tempo de 3 minutos para responder as perguntas. No vídeo, que viralizou, Ciro discute com a plateia, atribui as vaias que recebeu a eleitores do Bolsonaro e fala quase aos berros: “Escuta, senão eu me retiro. Escuta, senão eu me retiro. Eu não sou demagogo, eu quero governar o Brasil para restaurar a autoridade dessa baderna que está acontecendo no nosso país. Eu vou consertar o Brasil restaurando a autoridade.”

De que autoridade Ciro fala? O tom e contexto sugerem um tipo de autoridade que tudo tem a ver com o apelido que Ciro recebeu há muito tempo. Não sei se é o tom que ele costuma usar lá em Sobral ou quando governou o Ceará, mas na presidência do Brasil não cabe coronel, mesmo porque quem tenta vencer tudo no grito não governa.

Seus eleitores gostam de destacar que o presidenciável seria um homem preparado para o cargo. Ora, preparo na vida pública requer um mínimo de equilíbrio emocional, o que o destemperado Ciro Gomes não parece ter. Ah, mas as ideias compensam, alguém poderá dizer. Não, não compensam, são um misto de verborragia de cunho desenvolvimentista, probleminhas de matemática jogados no ventilador, e uma disposição para mentir na cara dura.

Ciro é uma versão um pouco mais polida de um Bolsonaro de esquerda, com a diferença de que enquanto este diz não “precisar entender de economia”, Ciro abusa do seu economês particular para convencer todos de que suas interpretações heterodoxas são as únicas viáveis, estando todas as divergentes a serviço de interesses internacionais, do lobby dos bancos e do capital financeiro.

A direita tem seu louco, que não esconde sua devoção por Trump, e tenta agora mostrar que é um candidato amigo do mercado, e a esquerda também conseguiu o seu, que manda o mercado às favas com a crença de que o povo endossará sua agenda, que em suma é a mesma do PT, em resposta ao que ele chama de “golpe”. Um segundo turno entre os dois, seria uma tragédia para o país.

Gabriel Wilhelms

 

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