Bolsonaro é uma metralhadora de bobagens. Ou: O Brasil como chacota mundial – Por Gabriel Wilhelms

Não é um tempo fácil para ser bolsominion. Por bolsominion não me refiro aos eleitores de ocasião de Bolsonaro, mas daqueles que fazem parte de seu culto ideológico. Estes atuam como verdadeiros soldadinhos, sempre dispostos a lutar, não em defesa do país, mas de um governante em particular. Prova de que sua luta não é pelo país, a despeito de slogans e carros plotados com “Brasil acima de tudo”, é sua pouca preocupação em ver o país transformado em chacota mundial. É exatamente o que vai acontecer se o Senado tiver a indecência de confirmar a indicação do filho do presidente para o cargo de embaixador nos EUA.

  É preciso ser um soldado muito fiel para não titubear nem quando o presidente admite com todas as letras a intenção de “beneficiar” seu filho. Sejamos justos, por mais que se possa acusar um certo aparelhamento de estado em gestões petistas, nem Lula nem Dilma tiveram a cara de pau de rifar o estado entre seus afetos particulares de forma tão descarada, isso admitindo que o tenham feito.

 Cito os petistas porque eles são a grande nêmesis da era bolsonariana, o inimigo público eleito para incutir o medo e vender o remédio. O remédio, entre outras coisas, prometia acabar com a mamata. Não, só mudou os beneficiados. 

 Não é um tempo fácil para ser bolsominion, pois os pobres coitados precisam se desdobrar cada vez mais para tentar encontrar validação para as asneiras que o presidente fala e faz, e ele é uma metralhadora de bobagens.

 Apenas nesta semana cometeu o disparate de dizer que “Falar que se passa fome no Brasil, é uma grande mentira”. A frase foi dita em café da manhã com jornalistas estrangeiros. Mais tarde, na saída de um evento no Ministério da Cidadania Bolsonaro recuaria dessa declaração dizendo que “alguns passam fome”. Inquirido se se tratava de um recuo o presidente esbravejou com os repórteres dizendo não via “nenhum magro ali”. 

  No café com jornalistas Bolsonaro também foi questionado sobre o aumento do desmatamento na Amazônia baseado em estimativas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O presidente disse que os dados do órgão são “mentirosos” e que o presidente do INPE, Ricardo Magnus Osório, deve estar “a serviço de alguma ONG”. Em entrevista Ricardo desafiou o presidente a repetir as falas “cara a cara” e afirmou que o presidente não pode falar em público “como se estivesse num botequim”. O problema é que Bolsonaro não deve conhecer outro vocabulário. O nível intelectual por trás de suas falas só pode se coadunar com um vocabulário de botequim mesmo. 

 Ainda no café da manhã Bolsonaro demonstra, mais uma vez, que não há limites para seu nível de baixeza, e numa fala que deve ter causado constrangimento e indigestão aos presentes afirmou que a jornalista Miriam Leitão, torturada aos 19 anos e grávida durante a Ditadura Militar “mentiu” sobre ter sido torturada. Afirma ainda que ela foi presa enquanto estava a caminho da guerrilha do Araguaia. Miriam Leitão não só foi torturada – grávida, reitero – como nunca participou da guerrilha armada. Talvez Bolsonaro soubesse disso se lesse livros sobre a história do período, mas é provável que o presidente nunca tenha lido nenhum livro. 

 As mentiras e ataques do presidente contra a jornalista ocorreram ao comentar a lamentável demonstração de ódio e intolerância por parte de apoiadores seus, que se organizaram pelas redes para tentar banir a presença da jornalista e seu marido na Feira do Livro em Jaraguá do Sul. 

 Estas são apenas algumas das bobagens disparadas pela metralhadora de bobagens que é Jair Bolsonaro durante essa semana. Notem que boa parte delas resultam de conversa com jornalistas “estrangeiros”. Não há como a reputação do país passar ilesa a Bolsonaro, que está mais preocupado com sua própria reputação, ainda que mesmo nisso ele seja catastrófico.

Gabriel Wilhelms

 

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