Assediado pelo PSL, Peninha decide permanecer no MDB

Único deputado federal de Santa Catarina a declarar apoio claro ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o emedebista Rogério Peninha Mendonça decidiu não trocar de partido. Ele afirma que a decisão foi tomada em conjunto, ouvindo lideranças de sua base eleitoral e o próprio pré-candidato a Presidente. Para Peninha, o Brasil precisa de um choque de gestão, com foco no combate à corrupção. Abaixo, leia a entrevista com o deputado catarinense.

Deputado Peninha, nos últimos meses ganhou corpo a notícia de que o senhor trocaria o MDB pelo partido de Bolsonaro. Existe essa possibilidade?
Minha proximidade com Bolsonaro já fez ventilar muitas notícias na imprensa, algumas verdadeiras, outras falaciosas. Fui convidado, sim, a migrar para o PSL, mas optei por permanecer no único partido ao qual fui filiado até hoje, que é o MDB.

Qual a reação de Bolsonaro à sua recusa?
Esta não foi uma decisão que tomei sozinho. Todos sabem que sou amigo do Bolsonaro, mas tenho muitos outros amigos que também ouço e respeito. Bolsonaro entendeu minha decisão. Ele tem ciência de que sua candidatura, acima de tudo, é suprapartidária, é um projeto para o país.

Se o MDB lançar candidato à Presidência, qual será seu posicionamento?
Hoje, meu candidato é Jair Bolsonaro. Por ora, não vejo outro nome melhor para comandar o destino da nossa nação do que ele. Não é perfeito, obviamente, mas é o que mais se aproxima do que eu penso para o Brasil.

E o que o senhor pensa para o futuro do país?
Temos que nos livrar dessa ideologia esquerdista implantada pelo PT desde 2002, que ainda é muito replicada na estrutura federal. Eu defendo um governo que não meta o dedo na vida das pessoas e das empresas. Muito ajuda, o governo que não atrapalha. E o foco, acima de tudo, precisa ser no combate à corrupção. Este é o maior dos problemas.

O fato de o MDB estar envolvido em casos de corrupção, não seria mais um motivo para o senhor mudar de partido?
Eu vejo por um ângulo diferente. Em vez de mudar de partido, por que não mudar “o” partido? O MDB que eu integro não é o de Jucá, Calheiros e Sarney. Eu faço parte de um MDB que existe sobretudo no interior de Santa Catarina, que cultiva suas origens e combate a corrupção. Não podemos permitir que algumas laranjas podres contaminem toda a safra. Temos que identificar as peças ruins e substituí-las. Acredito que contribuo muito mais dessa forma, do que simplesmente pulando fora do barco.

O MDB em Santa Catarina dará palanque a Bolsonaro?
Essa é uma questão que eu não decido sozinho, precisa passar pela executiva do partido. Defendo, sim, que ele seja o nosso candidato a presidente, mas caso o MDB decida apoiar outro nome, no meu palanque Bolsonaro terá espaço.

Como o senhor avalia as eleições desse ano?
Acredito que teremos um Parlamento mais conservador, mais voltado à direita. Nos roteiros que faço por Santa Catarina e nas conversas que tenho em Brasília, com gente de todo o país, vejo que a sociedade cansou do mundo utópico vendido pelos socialistas. Para Presidente, por mais nebuloso que pareça o cenário, creio que só exista uma dúvida: quem disputará contra Bolsonaro o segundo turno. Isso, caso ele não vença no primeiro.

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