Apenas 16% dos brasileiros têm condições de guardar dinheiro no final do mês

Uma pesquisa realizada em todo o Brasil apontou que 25% das pessoas que conseguem poupar dinheiro no final do mês guardam as quantias dentro da própria casa. A maior parte (60%) escolhe a caderneta de poupança, mas há ainda aqueles que optam por conta corrente (18%), previdência privada (7%), fundos de investimentos (5%), CDBs (4%) e títulos do tesouro (4%). Especialistas dizem que manter o dinheiro parado nas residências, além de arriscado por questões de segurança, faz com que ele perca valor de compra e deixe de render juros.

Apesar disso, a grande maioria da população (71%) não tem condições de poupar. Segundo a pesquisa, no último mês de maio, apenas 16% dos brasileiros conseguiram guardar recursos, principalmente, de salários, aposentadorias e pensões. Mesmo entre as pessoas de maior renda, o hábito de poupança revela ser algo precário. Nas classes A e B, apenas 28% dos entrevistados pouparam em maio, contra 66% que não. Nas classes C, D e E, o percentual de poupança cai para 13%. Considerando os que se recordam do valor guardado, a média foi de R$ 440,40.

Entre os brasileiros que não pouparam nenhum centavo em maio, 40% justificam uma renda muito baixa, o que inviabiliza ter sobras no fim do mês. Outros 25% foram surpreendidos por algum imprevisto financeiro e 12% que não possuem renda no momento, provavelmente por estar desempregados. Há ainda 12% de consumidores que admitiram ter perdido o controle e a disciplina sobre os próprios gasto.

“Em geral, as escolhas de investimentos são influenciadas tanto pelo conhecimento escasso sobre as possibilidades de investir como pelo comodismo. Ao manter o dinheiro em casa, o consumidor está perdendo o poder de compra pela inflação e isso pode ser prejudicial para seus objetivos. Se a intenção é proteger-se contra imprevistos, o conveniente é optar por uma reserva com alta liquidez, ainda que isso implique um rendimento menor. Por outro lado, se o objetivo é poupar para o longo ou médio prazo, aplicações menos líquidas, isto é, com menos facilidade para sacar, podem servir de freio ao impulso de desviar a finalidade deste recurso guardado”, aconselha a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

“A poupança deve ser encarada como um compromisso de todos os meses. Se o consumidor deixa para guardar só o que sobra, ele pode ceder à tentação de transformar o que deveria ser uma reserva financeira em consumo, ficando sujeito a eventuais imprevistos ou inviabilizando a realização de sonhos de consumo, assim como garantir uma aposentadoria mais confortável alerta o educador”, diz o educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli.

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