APAE de Brusque recebe premiação nacional em Brasília

Três alunas venceram o concurso “Pesquisar e conhecer para combater o Aedes aegypti”, realizado pelo Ministério da Educação

Entre os dias 7 e 9 de novembro, as alunas da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Brusque, Viviane Voss, Maria Cristina Cugiki e Naira Cristine Cirque, acompanhadas pelas professoras Graziela Boaszczyk Dalcastagner e Joice Vilma Borinelli Diegoli, estiveram em Brasília (DF), para receber o prêmio de primeiro lugar no concurso “Pesquisar e conhecer para combater o Aedes aegypti”, realizado pelo Ministério da Educação. Elas se classificaram na categoria de Educação para Jovens e Adultos, com um vídeo de pouco mais de um minuto, no qual compartilhavam aprendizados sobre o combate ao mosquito da dengue.

“Foi uma experiência maravilhosa, uma sensação de que a gente pode, de que a gente consegue”, afirma a estudante da APAE, Viviane Voss.

Durante o vôo até Brasília, as professoras orientaram as três jovens para não criar muitas expectativas sobre a premiação. “Passamos a viagem brincando, dizendo que seríamos recepcionadas por motoboys. Rimos muito. Desembarcamos na maior festa, com a bandeira da APAE. E, para a nossa surpresa, ali no aeroporto já haviam equipes de reportagens posicionadas, nos esperando. Foi incrível”, conta a professora Joice Vilma Borinelli Diegoli.

Na terça-feira de manhã elas acompanharam os demais vencedores do concurso em um passeio por alguns dos pontos turísticos de Brasília. No início da tarde visitaram o estádio Mané Garrincha, onde participaram do lançamento de um aplicativo que estimula o combate ao Aedes aegypti, disponível para download a partir do dia 22 de novembro. Na sequência, veio o momento mais esperado da viagem: a solenidade de premiação na sede do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP).

“A nossa professora Graziela foi uma das três educadoras escolhidas para falar em nome de todos os docentes que estiveram envolvidos com o projeto. E foi difícil não se emocionar. Ela falou sobre o nosso trabalho, feito sempre com o coração, nessa busca permanente de unir a teoria com a prática. Fomos, com certeza, a escola mais aplaudida. Éramos as “diferentonas” da educação especial”, lembra a professora Joice.

Ainda na terça-feira, pouco antes da cerimônia, as professoras perceberam que uma de suas alunas não estava muito bem. Depois de algumas insistidas para entender o que estava acontecendo, Naira Cristine Cirque abriu o jogo. Estava com muita saudade do filho Kaike, de cinco anos. Era a primeira vez que ela passou tanto tempo longe do menino. “Estava com saudades. Amo o meu filho muito, demais! Mas era importante estar ali, receber o prêmio e mostrar para ele que eu consegui. Espero que algum dia ele mostre aos meus netos”, explica Naira, que depois do desabafo e de chorar um pouquinho, voltou a aproveitar com alegria o restante da viagem.

Reconhecimento

Para a professora Graziela Boaszczyk Dalcastagner, o reconhecimento foi merecido. Muita atenta aos concursos nacionais, ela destaca que nem todos os projetos educacionais permitem a inscrição de alunos da educação especial. “Tinha certeza que elas dariam conta. E foi importante levar as meninas até lá para que todos vejam que elas conseguem, que elas sabem. Queria mostrar que, apesar de diferente, nossa turma tem muito potencial. Precisamos de mais oportunidades e que nos abram, pelo menos, a possibilidade para participar”, observa.

Ainda em Brasília, alunas e professoras da APAE foram recebidas pelo ministro da Educação, Mendonça Filho e, por onde passaram, deixaram sinais de alegria, força de vontade e superação. “Nós fizemos esse trabalho com suor e somos merecedoras do reconhecimento”, avalia a aluna Maria Cristina Cugiki.

Já no aeroporto de Brasília, aguardando a volta para casa, um pequeno susto: Naira sumiu por alguns instantes. Depois de certo tempo lá voltou ela, muito tranquila. Foi comprar um livro de desenho como lembrança da viagem para o filho. Diante da nobreza de atitude, as professoras até dispensaram a merecida bronca por não avisar onde foi. Agora, Naira planeja voltar a Brasília nos próximos anos, quando concluir o curso de fotografia que ainda não começou. A vitória no concurso nacional fez a jovem voltar a acreditar nos sonhos e ela já decidiu: quer ser fotógrafa!

 

O concurso

O concurso “Pesquisar e Conhecer Para Combater o Aedes aegypti” foi voltado a todo o sistema educacional brasileiro. Esta iniciativa objetiva originar ações que promovam o combate ao mosquito Aedes aegypti e suas consequências, principalmente o Zika Vírus. O concurso recebeu vídeos de até 90 segundos que apresentavam de forma criativa o trabalho desenvolvido nas escolas brasileiras.

Havia duas formas de avaliação. A primeira era por júri popular, através de votos em rede social ou no endereço eletrônico do concurso. Nessa categoria a APAE ficou em segundo lugar, com 1712 votos, 60 a menos do que a primeira colocada. Mas elas venceram através da segunda avaliação, que passou pelo crivo de um júri técnico.

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