Análise do plano de governo de Geraldo Alckmin- Por Gabriel Wilhelms

 

O plano de governo de Geraldo Alckmin é o mais enxuto dos que realizei a leitura até o momento. No sumário constam apenas três capítulos: “O Brasil da Indignação”, “O Brasil da Solidariedade” e “O Brasil da Esperança”.

O Brasil da Indignação

Nesta seção se propõe uma reforma política, onde se introduziria o voto distrital, visando a redução do número de partidos. Defende-se também a descentralização do poder, dando mais autonomia para estados e municípios. Não há espaço nas poucas páginas do plano para explicar como Alckmin faria isso, o que só pode realmente ser alcançado por uma reforma (que seria mais uma revolução) do pacto federativo, que é uma daquelas coisas, que, assim como o voto distrital, todo mundo “apoia” perpetuamente, mas ninguém faz.

Também aqui se encontra a promessa de zerar o déficit público em apenas 2 anos, promessa audaciosa. Alckmin promete privatizar empresas estatais “de maneira criteriosa”, o que provavelmente é eufemismo para privatizar as menos relevantes e manter as demais com o argumento de que são “estratégicas”. É na mesma linha que Alckmin promete reduzir ministérios e cargos públicos. Ora, após sua aliança com o centrão, da qual ele sempre trata orgulhosamente, alegando que lhe provirá governabilidade, fica difícil crer que haverá uma redução significativa de cargos e privatização de estatais em grande quantidade, pois sabemos que o preço da governabilidade no Brasil é o loteamento de cargos para os partidos aliados.   

Em matéria de segurança pública, Alckmin promete a criação de uma Guarda Nacional que funcionaria como uma “polícia militar federal”.

O Brasil da Solidariedade

Nesta seção há outra daquelas promessas que dificilmente convence: “Vamos transformar a carreira do professor numa das mais prestigiadas e desejadas pelos nossos jovens”. Como Alckmin faria isso, falta explanar, afinal a educação básica é, em geral, atribuição de estados e municípios. Também na área de educação há uma meta ambiciosa: “crescer 50 pontos em 8 anos no PISA- o mais importante exame internacional de avaliação do ensino médio”.

Na área de saúde, propõe-se a criação de um “prontuário eletrônico com o histórico médico de cada paciente”. A defesa da informatização, aliás, tem sido uma constante nas propostas dos presidenciáveis.

Defende-se o incremento do Bolsa Família, aumentando os benefícios, mas sobre o programa, o mais importante na área social do país, nada mais é dito, como por exemplo, se se busca o objetivo de que as pessoas consigam cada vez mais se desvincular do programa.

Num aceno para as minorias, Alckmin se compromete a adotar políticas de ações afirmativas para as populações negra e indígena.

O Brasil da Esperança

Nesta seção, nota-se de imediato a relevância que a abertura comercial tem para o plano do tucano, com a promessa de que o comércio exterior represente 50% do PIB. Alckmin promete transformar o Brasil no país “mais atrativo para empreender e investir na América Latina”. Para tal, propõe fortalecer o ensino técnico e tecnológico, visando qualificar os jovens para a “nova economia”, e coloca a pesquisa, a ciência, a tecnologia e o conhecimento aplicado, como vetores do aumento da produtividade e da competividade do país.

Nas relações exteriores, promete defender valores como a democracia e os direitos humanos, em especial na América do Sul. Resta saber se isso significa um tom mais duro com governos como o da Venezuela e Nicarágua, do que vem adotando o governo brasileiro nos últimos anos. Esse, aliás, é um tema que deveria ser trazido para os debates presidenciais. Há no pleito candidatos que abertamente defendem a ditadura venezuelana.

Essa análise é consideravelmente mais breve do que as que realizei anteriormente, mas isso porque o plano de governo de Alckmin também é mais breve. Isso por si só não é um problema, objetividade sempre é bom. Não há, no entanto, maiores explicações para nenhum dos pontos, e muitas das propostas parecem vazias pela falta de um indicativo sobre como seriam operadas.

Gabriel Wilhelms

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