Acadepol promove capacitação sobre psicologia do testemunho para policiais civis

A Academia de Polícia Civil de Santa Catarina (Acadepol) promove o Seminário Testemunho e Reconhecimento no Âmbito da Polícia Judiciária, nesta segunda e terça-feira (21 e 22), em Florianópolis. Durante dois dias, cerca de 200 policiais civis vão aprofundar seus conhecimentos a cerca do funcionamento da memória para compreender melhor o testemunho e reconhecimento, duas ferramentas fundamentais na elaboração de um inquérito policial. “Vamos promover o debate envolvendo os pressupostos da psicologia do testemunho e da entrevista investigativa, em diálogo permanente com o Direito”, observa a psicóloga policial Ana Paula Limaco, idealizadora do evento.

Santa Catarina é um dos primeiros estados do país a abordar o tema e a investir na capacitação e instrumentalização do maior número possível de servidores para a coleta de testemunho – seja do suspeito, vítima ou testemunha. Jogar luz sobre um ato policial tão delicado, ou seja, colher depoimentos em busca do que mais se aproxima da realidade dos fatos exige a adoção de técnicas e de treinamento especializado.

 

De acordo com Ana Paula Limaco, há uma estimativa de que a prova testemunhal represente parte considerável dos elementos de informação que instruem os inquéritos policiais encaminhados ao Judiciário. “É fundamental capacitar o servidor para reconhecer aspectos que impliquem na qualidade do registro e do resgate de memórias que são, muitas vezes, carregadas de afetos, positivos ou negativos, resultantes de experiências traumáticas tornando-se condição fundamental para o trabalho eficiente da Polícia Civil”.

Ana Paula Limaco enfatiza que debate o funcionamento memória e trabalhar com os policiais técnicas científicas para a coleta de testemunhos e reconhecimentos de pessoas, que favoreçam que a vítima, suspeito ou testemunha são cruciais para que a pessoa relate não aquilo que se espera ouvir, mas o que mais se aproxime do que de fato aconteceu”.

A psicóloga lembra que existe uma dedicação maior quanto ao tema em âmbito mundial, que se reflete na propagação de pesquisas voltadas à técnica de entrevista cognitiva a fim de demonstrar que há uma metodologia viável para coletar informações compreendendo todo o processo. “Desde o registro da memória até a exposição em forma de testemunho, demanda inclusive um ambiente adequado, em termos estruturais e também de conhecimentos, habilidades e atitudes do operador da lei”, destaca.

Ana Paula Limaco assinala que a sociedade percebe quando o trabalho é especializado. “No âmbito da Polícia Civil isso se estende também a Delegados, Agentes, Escrivães, isto é, a todos aqueles que, por características intrínsecas ao processo, tenham contato com o entrevistado. Todos têm um objetivo em comum: a confiabilidade do trabalho realizado”, conclui.

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