Abraham Weintraub deve cair – Por Gabriel Wilhelms

Quando anunciou que Ricardo Vélez seria exonerado, esperava-se que o próximo indicado fosse melhor, ou, ao menos, “menos pior” do que Vélez, afinal o MEC é uma das pastas mais importantes da esplanada e se via em meio de uma disputa ideológica ridícula. Ledo engano, Abraham Weintraub tem se mostrado ainda pior do que o antecessor.

A pasta que comanda foi nesta semana, pela segunda vez alvo de protestos, os primeiros (certamente não os últimos) organizados contra a gestão de Bolsonaro, o que foi alimentando pela forma porca e fanática como decidiu comunicar os contingenciamentos.

Também nessa semana Weintraub decidiu nos presentear com uma bizarra paródia de Singing In The Rain, onde ataca suposta fake news contra o MEC. Poderia até ter nos divertido, mas mais provável é que tenha constrangido os que assistiram ao vídeo, cientes de que o protagonista da coisa não era um youtuber de qualidade duvidosa, mas sim o ministro da Educação do Brasil.

Como no cenário político atual a palavra limites está fora do vocabulário, Weintraub foi além, e atropelando a constituição e princípios democráticos básicos, permitiu que o MEC divulgasse uma nota que pretendia “censurar” alunos, professores e até mesmo pais que “divulgassem e estimulassem” protestos durante o horário escolar. Diante da flagrante inconstitucionalidade e autoritarismo da nota, o MPF deu um prazo de 10 dias para que o MEC apagasse a nota, bem como recomendou que Weintraub “abstenha-se de cercear a liberdade da comunidade estudantil”.

E não se deixem enganar pelo parte do “horário escolar”. Consideremos escolas de ensino médio e ensino superior públicas que funcionam nos três turnos, e você tem um horário escolar que dura o dia inteiro. Não necessariamente um estudante que está protestando está matando aula. Claro que em termos de censura a nota acaba sendo inócua, não tendo o MEC nenhuma prerrogativa sobre o que pais, professores e alunos divulgam, falam ou pensam.

Não obstante, o ministro transforma a ouvidoria do MEC em um canal de denúncias contra os envolvidos nos protestos: “Caso a população identifique a promoção de eventos desse cunho, basta fazer a denúncia pelo ouvidoria do MEC por meio do sistema e-Ouv”.

Novamente notamos a opção pelo caminho do conflito, e nesse caso, do acirramento ideológico. Com a maior cara de pau Weintraub diz: “O MEC está fazendo um esforço muito grande para que o ambiente escolar não seja prejudicado por uma guerra ideológica que prejudica o aprendizado dos alunos”. Ora, hoje o MEC age efetivamente como promotor dessa suposta guerra ideológica. Vou além, isso funciona como bode expiatório, não só para Weintraub, mas para o governo em si reagir a críticas. Recentemente o presidente em pessoa chamou os manifestantes de “idiotas úteis” e arguiu que eram “massa de manobra”.

Então funciona assim, o ministro não tem maturidade para lidar com as críticas e as pautas que se apresentam, façam elas sentido ou não, e em resposta tenta nos convencer de que tudo é produto de um movimento político das esquerdas. Sendo assim, a crítica não teria razão de existir, sendo simplesmente um instrumento desestabilizador usado por algum inimigo público, (a esquerda e o PT) o qual estaria promovendo uma lavagem cerebral na cabeça dos jovens. Típica tática de autoritários.

Pelo conjunto da obra, afirmo que assim como Vélez, Weintraub deve cair, e acho que isso inevitavelmente vai acabar acontecendo. Porém, não alimento esperanças de que o terceiro, quarto ou quinto ministro seja muito melhor. O MEC é uma pasta muito sensível para os propósitos da cruzada ideológica de Bolsonaro para que este a ponha sob a batuta de uma gestão profissional e não vinculada com suas neuras olavistas.

Gabriel Wilhelms

 

Deixe sua opinião