“A Reforma do Ensino Médio: desafios e perspectivas”

Café de Ideias no Núcleo de Instituições Educacionais da ACIBr contou com a presença do diretor de Articulação com os Municípios, Osmar Matiola

Na tarde desta quarta-feira, 22 de fevereiro, no auditório do Bloco C do Centro Universitário de Brusque (Unifebe), foi realizada mais uma edição do Café de Ideias, organizado pelo Núcleo de Instituições Educacionais da Associação Empresarial de Brusque (ACIBr). O evento contou com a presença do Diretor de Articulação com os Municípios da Secretaria Estadual de Educação, Osmar Matiola, que ministrou a palestra “A Reforma do Ensino Médio: desafios e perspectivas”.

“O objetivo é falar sobre as implicações que a Reforma do Ensino Médio terá nas escolas públicas e privadas, já que existem bastante dispositivos que serão alterados. Vale ressaltar que Santa Catarina participou de forma direta neste processo, através da presença do secretário Estadual de Educação, Eduardo Deschamps, que é também o presidente do Conselho Nacional da Educação (CNE). O Estado acabou intervindo no projeto que, desde 2013 tramitava no Congresso. No ano passado, com a decisão do Governo Federal em adotar a Reforma através de Medida Provisória, essa participação se tornou ainda mais intensa. Na minha opinião, através desta participação do Governo de Santa Catarina, se conseguiu alterar dispositivos que estavam na reforma inicial e isso melhorou significativamente a proposta”, explica o Diretor de Articulação com os Municípios, Osmar Matiola.

Segundo ele, a Reforma do Ensino Médio foi sancionada na semana passada em Brasília e contou com a presença de estudantes catarinenses. “O principal objetivo é melhorar a qualidade do Ensino Médio, que está estagnada desde 2005, conforme os indicadores de desempenho dos alunos avaliados pelo Ministério da Educação (MEC). Há uma década nós não conseguimos avançar. Além disso, existe a questão do acesso e o número expressivo de jovens entre 15 e 17 anos fora da escola. Antes, o Ensino Médio era generalista, focava na preparação do estudante para o Ensino Superior. Com a Reforma, há a possibilidade de o aluno optar pelo curso que está mais relacionado com o seu projeto de vida. Isso torna mais flexível a sua trajetória pelo Ensino Médio e diminui a evasão escolar”, enfatiza Matiola.

De acordo com o Diretor de Articulação, a participação contrária à Reforma, sobretudo da comunidade acadêmica, professores e movimentos estudantis foi motivada por reivindicações já atendidas. Disciplinas como Artes, Educação Física, Filosofia e Sociologia permanecem na grade curricular da Educação Básica.

“Foram pontos aperfeiçoados enquanto se tramitou no Senado. Agora temos os debates junto ao Conselho Nacional de Educação. A Reforma não é imediata. Vai levar pelo menos um ano para ser regulamentada e, talvez, mais um ano pra entrar em vigor, junto com o novo currículo nacional”, observa.

 

Mais conhecimento sobre a Reforma

De acordo com o coordenador do Núcleo de Instituições Educacionais da Associação Empresarial de Brusque (ACIBr), Maicon Rodrigo Moresco, a intenção da escolha pelo profissional vinculado à Secretaria Estadual de Educação tinha como objetivo entender exatamente de que forma as instituições de ensino serão impactadas pela Reforma do Ensino Médio.

“Queremos reconhecer o que está sendo proposto como mudança e de que forma isso vai acontecer. Também queremos entender até que ponto é possível interagir e adotar este novo modelo que está sendo proposto, sobretudo em termos de educação profissionalizante”, afirma Moresco.

Segundo ele, nas próprias discussões do Núcleo, a Reforma era considerada uma mudança que precisava acontecer. “A gente vem conversando sobre o modelo atual, que não funciona mais. A mudança é necessária. Agora, na fase final do Ensino Médio, há a possibilidade do aluno decidir por uma área na qual tem mais aptidão e se dedicar. Hoje o estudante não tem mais pré-disposição em conhecer tudo, sobre tudo. E isso é um fator de evasão escolar, através da grade massificada, engessada e da quantidade de conteúdo”, salienta Moresco.

Já o reitor da Unifebe, Günther Lother Pertschy, destaca a importância de fortalecer o Ensino Médio para receber no Ensino Superior estudantes mais preparados. “A universidade é a instância final deste processo. Então, quanto mais se discute a qualidade dos anos finais da Educação Básica, melhor será o ingresso no Ensino Superior”, pontua.

Para a diretora do Senac Brusque, Ana Cristina Belli, o Café de Ideias foi a oportunidade para refletir sobre as mudanças que as políticas públicas estão trazendo ao Ensino Médio e de que forma sua instituição de ensino pode atuar em benefício dos alunos e da comunidade. “O principal ponto positivo é que as mudanças propostas vão reter mais alunos na escola. O mundo mudou e nossos adolescentes e jovens também têm necessidades diferentes. É preciso mudar para que eles tenham uma motivação maior na continuidade dos estudos”, afirma.

Fazem parte do Núcleo de Instituições Educacionais da Associação Empresarial de Brusque (ACIBr) o Colégio São Luiz, Faculdade São Luiz, Grupo Uniasselvi / Assevim, Colégio Cultura, Unifebe, Colégio Cônsul Carlos Renaux, Senai, Senac, Sesi, Sesc e Colégio Amplo.

 

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