A novela da reforma da Previdência- Por Gabriel Wilhelms

Todos os esforços do governo estão concentrados em garantir a aprovação da reforma da Previdência ainda este mês na Câmara, e para tal é necessário garantir os 308 votos necessários. Vale dizer que a proposta inicial do governo já recebeu diversas alterações, todas visando garantir o número de votos necessários, de modo que a proposta atual é muito mais branda do que a inicial, e com isso, evidentemente a economia estimada é também menor que a inicial.  Apenas a última alteração incluída no texto, que garantirá pensão integral para viúvos e viúvas de policiais mortos em combate, representa uma estimativa de R$400 milhões a menos na economia com a previdência numa projeção de 10 anos.

A reforma é necessária, já disse isso várias vezes aqui, e a tese de que não há déficit não sobrevive a uma análise séria, sendo assim, é lamentável que se tenha dúvidas sobre se há o número de votos necessários para aprová-la. O presidente Temer conseguiu aprovar o teto de gastos e a reforma trabalhista, e já teve duas denúncias barradas pela Câmara – na famigerada tentativa de abalar a República de Janot e dos irmãos Batista. Para tudo isso precisou contar com a maioria, e conseguiu, então segue que não estamos diante de um Congresso majoritariamente de oposição. O que pesa evidentemente é o ano eleitoral.

Há duas opções, ou o congressista está convencido pelos discursos classistas e acha que a reforma é supérflua, hipótese em que esse congressista hipotético tem dificuldade para entender os problemas do país, em especial o fiscal, ou, e acho que isso é o mais predominante, nosso congressista sabe que a reforma é necessária, mas não quer ficar feio na foto com sua base eleitoral. Eis um dos grandes problemas do carreirismo político, e não se trata nem ao menos de corrupção, apenas de inaptidão, e dependendo do ponto de vista de imoralidade. Sei lá, posso ser romântico, mas não aceitaria sacrificar o futuro do país e das futuras gerações para salvar minha pele. Aqueles dispostos a fazer esse sacrifício é que são os verdadeiros estadistas, os demais provavelmente não passam de oportunistas.

E assim aquilo que é importante para garantir a solvência do estado e das próprias aposentadorias virou uma novela. É nesse sentindo que o país está assistindo a mais de um mês as peripécias em torno da nomeação da nova ministra do trabalho, Cristiane Brasil (PTB- RJ), que aguarda uma definição a respeito de sua posse pelo STF. Cristiane Brasil é filiada ao PTB, partido que é importante aliado do governo e do qual se espera o voto dos 16 deputados do partido. Desnecessário dizer que a indicação de Cristiane Brasil, que é filha do presidente do partido Roberto Jefferson, está atrelada a essa aliança que é necessária para o governo. É correto que seja assim? Não, o correto é que cargo de ministros (a)  fossem de indicação exclusivamente técnica, mas sabemos que não é assim, e sejamos pragmáticos, no Brasil presidente nenhum, especialmente um que queira aprovar reformas impopulares, pode se dar ao luxo de negligenciar essas alianças.

 A solvência do país então depende que os interesses privados sejam colocados de lado e que os interesses do país prevaleçam. Isso não é algo que se recomenda para todos, é claro, afinal não sou nacionalista, mas é o mínimo que se espera de homens e mulheres públicos, de políticos (a) que tem em sua mão o futuro, e que devem estar certos que quanto mais se espera mais o problema aumenta.

E os presidenciáveis? Ah, esses sem exceção e a despeito de seus discursos, exceto talvez figuras como a Manuela d’Ávila e quem concorrer pelo Psol, estão torcendo pela aprovação da reforma esse ano, para que se eleitos não terem que lidar com esse pepino.

 

Gabriel Wilhelms

 

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