A 18ª Vítima de trânsito e a estatística nacional

Neste último final de semana lamentavelmente tivemos a 18ª vítima fatal de trânsito em Brusque, desta vez foi na rodovia Gentil Battisti Archer (SC 108), rodovia que liga Brusque e São João Batista. Uma colisão entre um Fiat Pálio e um Chevrolet Classic, vitimando fatalmente a condutora do Classic, uma senhora de 66 anos de idade, moradora de Brusque. Com esta vítima, somente neste mês de outubro, já somamos quatro óbitos de trânsito, resultando num mês negro para nossa cidade.

Analisando o Boletim Estatístico da Seguradora Líder, administradora do seguro DPVAT, seguro obrigatório de veículos que pagamos anualmente, encontramos que de janeiro a setembro deste ano o trânsito já resultou em 31.004 vítimas fatais, enquanto que no mesmo período do ano passado, estávamos com 24.123 óbitos, resultando num aumento de 29%, já o número de invalidez permanente houve uma redução de 14%, ou seja, caiu de 255.512 para 220.153 esse ano. Números que assustam e que de uma forma geral causam grandes problemas econômicos e sociais ao nosso país.

Analisando um pouco melhor o Boletim Estatístico, observamos que, apesar da frota brasileira de veículos de duas rodas (motocicletas e similares) ser a minoria perante toda nossa frota veicular, em torno de 25% da frota, 76% do total das indenizações pagas foram para vítimas que estavam transitando com este tipo de veículo. O boletim traz ainda que houve 17.369 indenizações por MORTE pagas para motoristas em geral, sendo 11.326 (65%) deste total para pilotos de motocicleta, números que assustam e agravam ainda mais quando falamos na quantidade de indenizações por INVALIDEZ PERMANENTE, das 127.770 invalidez 113.770 (89%) foram para quem pilotava veículo de duas rodas.

Estes números são assustadores e demonstram o quanto é muito mais perigoso e o quanto devemos tomar cuidado ao transitar com veículos de duas rodas, mas infelizmente não é isso que observamos no trânsito do nosso dia-a-dia, motociclistas se aventurando, se arriscando, realizando manobras proibidas e inadequadas, realizando ultrapassagem onde não há o mínimo espaço seguro possível, não utilizando os equipamentos mínimos de segurança, e quando os utilizam, muitas das vezes está incorreto, enfim… colocando em risco o que o ser humano possui de maior valor e mais precioso: A VIDA!

Temos muito que melhorar quanto a formação do ser humano, e novamente nos esbarramos na EDUCAÇÃO do nosso povo, a qual deve começar lá nos primeiros dias de vida, na família, forjando uma boa disciplina, a auto estima ou o amor próprio, a consciência e a responsabilidade consigo próprio e com terceiros, pois só assim teremos uma sociedade mais evoluída, mais feliz e mais segura, contexto que, consequentemente, refletirá em nosso trânsito. Mas para isso, volto a parafrasear a expressão de Pitágoras usada no artigo da semana anterior: PRECISAMOS SABER EDUCAR NOSSAS CRIANÇAS DE HOJE PARA NÃO SER NECESSÁRIO PUNIR O ADULTO DO AMANHÃ.

OTÁVIO MANOEL FERREIRA FILHO

Tenente Coronel da Polícia Militar e Especialista em Trânsito

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